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Crítica: X-MEN: DIAS DE UM FUTURO ESQUECIDO

Indo na contramão da tendência Marvel Studios de fazer filmes onde o desenvolvimento dos personagens parece tratado como um complemento para as escandalosas sequências de ação, X-Men Dias de um Futuro Esquecido é uma obra dramaticamente complexa mas não intrincada que aposta no drama dos personagens para mover a narrativa sem esquecer de contrabalancear com tensão, movimento e um pouco de crítica social.

Num futuro apocalíptico assolado pela guerra entre mutantes e humanos os poucos X-Men restantes lutam para sobreviver aos Sentinelas, responsáveis pela identificação e extermínio dos portadores do gene X. Um raio de esperança surge quando descobrem uma maneira de usar os poderes de Kitty Pride (Ellen Page) para enviar a mente de alguém ao passado. A ideia é que alguém seja enviado a década de 1970 e impeça Mística (Jennifer Lawrence) de cometer o ato que desencadeou toda essa guerra. Sendo incapaz de realizar tal viagem Professor X (Patrick Stewart) e Magneto (Ian McKellen) enviam Wolverine (Hugh Jackman) para encontrar suas versões mais jovens Charles (James McAvoy) e Erick (Michael Fassbender) e convencê-los de que precisam deter Mística ou o futuro de todos, humanos e mutantes, estará comprometido.

Com uma poderosa abertura que traz imagens que poderiam muito bem ter saído direto de um documentário sobre o holocausto, o filme imediatamente determina o destino esboçado pela intolerância humana, uma nada discreta metáfora para um mundo onde o ódio e a violência tem sido caminho para lidar com aquilo que não se conhece, onde as minorias são diariamente execradas e exterminadas. Talvez por fazer parte de uma minoria, Bryan Singer é gay assumido, ele tenha conseguido imprimir tanta verdade e urgência a esse futuro devastado, mais do que um inquietante universo fictício, é um vislumbre sobre o passado e o futuro dos erros da humanidade mas com uma chance de redenção.

Com esse pano de fundo torna-se ainda mais fácil compreender e simpatizar com a motivação dos personagens. Na década de 1970, marcada também por uma guerra, a do Vietnã, Professor Xavier vive uma crise depressiva por ter perdido tudo o que construiuem parte por culpa de Erick/Magneto que por sua vez permanece numa trajetória de proteger a causa mutante custe o que custar. Sua radicalização de discurso é compreensível quando se pensa nas atrocidades cometidas contra os seus que foi obrigado a ver, é o revidar do animal acuado. Esses personagens simétricos e antagonistas lutam pela alma de Mística/Raven que está em processo de descobrimento de sua identidade, decidir seguir um mestre ou ser mestre de si mesma. O desabrochar do seu personagem é interessante pois demonstra que atrás do caráter obscuro de Mística ela conserva, ainda naquele ponto, resquícios da bondade de Raven, o que oferece ainda uma resposta otimista para encerrar o ciclo de ódio que causa guerras.

Claro que o elenco tem peso respeitável quando se pensa na caracterização e revelação desses personagens. Os já veteranos Patrick Stewart e Ian McKellen aparecem a vontade em cena, mas as faíscas mesmo ficam por conta do trio principal Michael Fassbender, James Mcavoy e Hugh Jackman, deve-se ressaltar que o último aparece na melhor forma no auge de seus 45 anos. Os três possuem uma química explosiva garantindo momentos tanto de grande tensão e descontração. Jennifer Lawrence também está bem no papel, confere a Mística uma energia que dá jus ao seu apelido, e ainda transparece a confusão mental pela qual  sua personagem está passando.

Em termos de produção o filme dispensa comentários, com variados cenários e impecável reconstrução de época. Esse preciosismo também permeia escalas menores, como por exemplo o escritório atulhado e envelhecido de Charles Xavier em contraponto com o do cientista Trask (Peter Dinklage), extremamente limpo e adornado com objetos que refletem seu interesse pelo exótico além de seu grande ego. Os efeitos especiais são consideravelmente superiores aos vistos em Primeira Classe, o que claro, reflete o aumento no orçamento do filme. Por outro lado, o 3D  não é bem utilizado, sendo até mesmo dispensável dada a escassez de cenas que fazem valer o uso desta tecnologia.

Sem abarrotar o filme com personagens demais, apresenta ainda novos mutantes com poderes notáveis, o que garante a participação do irreverente  Mercúrio (Evan Peters) em uma sequência particularmente marcante, que deixa um gosto de quero mais. Acertando em tantos quesitos, inclusive em nunca deixar a ação tornar-se uma simples overdose de imagem e som dissociada de qualquer fundo dramático, X-Men: Dias de um Futuro Esquecido sobressai-se no mercado de adaptações de quadrinhos ao apresentar um filme que além de muito divertido e bem produzido oferece  uma reflexão política que pode ser digerida pelo espectador médio. Um triunfo do bom entretenimento aliada a  conteúdo de alta qualidade.

Divulgaí

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