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Crítica: NO LIMITE DO AMANHÃ

Crítica: NO LIMITE DO AMANHÃ
Ao elaborar a teoria do Eterno Retorno, o famoso filósofo alemão Nietzsche talvez não suspeitasse em como esta seria reutilizada e reimaginada. A ideia de reviver eternamente a mesma vida é, ao mesmo tempo, fascinante e aterradora, por propor tanto a possibilidade de corrigir erros e reviver bons momentos, quanto a de ficar preso na eterna mediocridade. No cinema esse conceito tem sido explorado em toda a sorte de filmes, desde ficções científicas como Matrix Reloaded (2003) e Contra o Tempo (2011) até em comédias como Feitiço do Tempo (1993). O mais novo representante desse quase subgênero, No Limite do Amanhã, é bem vindo por trazer uma cativante dupla de protagonistas em confrontos épicos que rendem o melhor que se pode esperar de um blockbuster de verão: diversão de alta qualidade.

Em um futuro próximo quando uma guerra é travada entre humanos e alienígenas chamados de miméticos pelo controle da terra. Mesmo sem nenhuma experiência de campo o major Bill Cage (Tom Cruise) que trabalha como secretário de imprensa, é mandado para linha de frente do confronto. Ao morrer rapidamente em combate ele acaba caindo em um looping temporal obrigado a lutar a mesma guerra inúmeras vezes. Sem sucesso em sair dessa situação sozinho, Cage acaba então enredado no plano da implacável Rita Vrataski (Emily Blunt) para derrotar o inimigo.

É admirável que obra mantenha ritmo agradável mesmo lidando com infindáveis repetições. Esse êxito foi alcançado através de um primeiro ato solidamente construído, que oferece possibilidades para serem exploradas ao longo do filme. Dessa forma, a alternância de repetições e variações permite que ele nunca se torne arrastado. Essa dinâmica cria também contrastes interessantes, cenas que a despeito de serem apresentadas ao espectador pela primeira vez, já foram vividas pelos protagonistas inúmeras vezes, colocando-o de certa forma um passo a frente do público. Além  disso, o diretor Doug Liman cujo último filme acima da média foi Identidade Bourne, faz um bom trabalho ao dirigir cenas de ação que, repletas de efeitos especiais, ainda são marcadas pela tensão, com desenrolar quase sempre satisfatório, pois, o desempenho de Tom Cruise e Emily Blunt garante humanidade e realismo a essas sequências.

A dupla de protagonistas carrega o filme nas costas. Tom Cruise no auge de seus 51 anos mostra que mais importante que uma barriga travada, carisma e capacidade dramática são essenciais para fazer um filme de ação funcionar. E justamente pelo ator não poder mais vender seus dotes físicos (devido a natureza implacável da indústria que privilegia sempre os corpos mais jovens), a obra adquire uma textura diferente ao adotar a inversão do estereótipo homem x mulher nesse gênero cinematográfico e garantir que isso apareça em tela de maneira orgânica, chamando atenção para esse fato somente na breve cena em que vemos o mocinho fazendo curativo na guerreira ferida, uma clara referência a esse clichê clássico. Nesse sentido Emily Blunt é sensacional, além de linda, representa com precisão um tipo de personagem que poderia facilmente cair na caricatura. 

Com uma lógica visual interessante que possui ecos da estética dos filmes de Neill Blomkamp, e até, em alguns aspectos jogos eletrônicos de última geração, os efeitos especiais são satisfatórios inclusive os miméticos que possuem um design flexível e assustador. Como de costume a versão 3D não apresenta  avanço significativo em relação a 2D, mas também não chega a prejudicar a projeção. No Limite do Amanhã é um agradável e cativante entretenimento para os que desejam divertir-se com muito barulho e destruição em sequências de ação bem montadas, faz valer o ingresso.


Divulgaí

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