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Crítica: O ESPETACULAR HOMEM-ARANHA 2: A AMEAÇA DE ELECTRO

O Espetacular Homem-Aranha (2012) além de ser um filme bastante problemático, sofreu com o fato de ser o reboot de outro que marcou uma geração, e ainda cometeu o erro de recontar a mesma história que permanece fresca demais na mente dos espectadores, relembrada constantemente através de reprises  de Homem Aranha (2002) na televisão. Se o primeiro filme é apenas morno, O Espetacular Homem Aranha 2 - A Ameaça de Electro, sacode as coisas, desvencilha-se da sombra lançada pela trilogia original e ousa sustentar-se sobre seu próprios pés enquanto aponta para uma nova direção para um dos heróis mais amados dos quadrinhos.

Após os acontecimentos do primeiro filme, Peter Parker (Andrew Garfield) tenta equilibrar sua vida de estudante, namorado e sobrinho, com a de Homem Aranha. As coisas vão bem, exceto pelo fato de não conseguir tirar da cabeça a promessa feita ao pai de sua namorada Gwen Stacey (Emma Stone), de que a deixaria fora de sua vida. Ele também irá reencontrar-se com seu amigo de infância Harry Osborn (Dane DeHaan), que retorna a cidade devido o falecimento de seu pai. Enquanto isso, o tímido Max Dillon (Jamie Foxx) sofre um terrível acidente e torna-se o temível vilão Electro que ele terá de deter a todo custo.

O maior acerto desta sequência é optar por construir seus personagens, com dramas interessantes, em vez de jogá-los de forma despreocupada na tela. Assim ao invés de parecer uma cópia pálida e antipática do Homem Aranha da trilogia anterior, esse ganha seus próprios conflitos. Um exemplo disso é o drama de Peter Parker, que precisa lidar com o medo de perder quem ama, enquanto dá o melhor de si protegendo e inspirando as pessoas na pele de seu alter ego aracnídeo. Embora ele ame o que faz, tem prazer de ser Homem Aranha,  irá aprender a duras penas as implicações da clássica frase "grandes poderes trazem grandes responsabilidades", sua simples existência cria vilões, é um contraste entre luz e escuridão necessário, que já havia sido magistralmente trabalhado em O Cavaleiro das Trevas, a dicotomia natural vinda da necessidade de qualquer universo, seja ele ficcional ou não de equilibrar as coisas.

Dessa forma, vemos que os dois vilões principais do filme surgem a partir de uma relação, com o Homem Aranha, relação essa que para todos os efeitos nos dois casos era de amizade e confiança. Embora o herói tenha apenas tentado exercer seu papel de proteger e inspirar, suas atitudes mesmo que essencialmente positivas tiveram um retorno diferente do esperado. O que leva o protagonista a confrontar-se com o fato de que ele é também Peter Parker e como qualquer ser humano não é perfeito, entre seus poderes não está o de controlar as pessoas e situações. Ser acima da média lhe trará o fardo de que o impacto de suas ações no mundo nem sempre será positivo, só que as consequências serão bem mais intensas do que aquele produzido por um ser humano comum. E essa tragédia, não funcionaria também sem o ótimo trabalho feito pelo elenco.

Andrew Garfield que me parecia um tanto aborrecido no primeiro filme, aqui inspira simpatia com seus dilemas, sendo eficiente tanto nos momentos cômicos como nos dramáticos. A química com Emma Stone, fundamental para o desenvolvimento da história, funciona muito bem. O trabalho de Jamie Foxx como Electro convence como um nerd solitário, fanático pelo Homem Aranha, e sua mudança é percebida mesmo através dos pesados efeitos especiais. Mas, o destaque fica mesmo por conta do magnífico Dane DeHaan, que consegue segurar a barra de um personagem bastante complexo com um desespero sempre contido, que enquanto luta pela salvação de sua vida, trilha gradativamente sua estrada para a danação. Impossível não solidarizar-se com ele.

Se a direção do Marc Webb no primeiro filme era problemática, oscilante, pouco expressiva, aqui ele se reafirma como um diretor promissor, dirigindo com maestria as sequências de ação, que embora contenham muitos efeitos especiais não soam exageradas ou artificiais demais, são críveis e empolgantes, devido a uma montagem dinâmica, mas não 'convulsiva'. Há também um cuidado na estrutura do filme, equilibrando sempre momentos de ação, e momentos de alívio de forma coerente. A construção da tensão é crescente levando a um clímax aflitivo com uma virada chocante, que embora pareça inesperada,  ao se pensar no filme de forma retrospectiva, é possível ver como  as engrenagens do roteiro levam inevitavelmente ao acontecimento em questão, não por acaso toda essa sequência ocorre dentro de um relógio.

Beneficiado pela evolução dos efeitos especiais nos últimos anos que garantem realismo e uma nova gama de possibilidades as sequências em que vemos Homem Aranha em ação, lançando-se vertiginosamente entre os arranha céus, e realizando salvamento acrobáticos que causam até um friozinho na barriga, O Espetacular Homem Aranha 2, é uma experiência e tanto, que une uma história muito bem pensada e realizada a um atração audiovisual que vale a pena ser visto em 3D. Embora não seja perfeito, é um pouco prejudicado pelo excesso de subtramas, pode-se dizer que dessa vez, o resultado é realmente um espetáculo.

Aviso: Há uma cena pós crédito de X-Men - Dias de um Futuro Esquecido



Divulgaí

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