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Crítica: DIVERGENTE

A indústria cinematográfica como qualquer outra que envolva dinheiro, frequentemente segue esta lógica: se algo faz grande sucesso, então a tendência é ofertar produtos similares. Uma lógica bastante legítima, afinal, por que não apostar no cavalo que está ganhando? Por outro lado, é impossível prever com segurança plena, o que fará sucesso com o público, e assim é comum observar ciclos, com diversos filmes parecidos lançados na carona de um grande sucesso, que, após alguns fracassos, terminam num piscar de olhos. Citando apenas a categoria infanto-juvenil nos últimos anos, foi assim com Harry Potter e Crepúsculo.A bola da vez é a ótima franquia Jogos Vorazes, seu primeiro derivado a ganhar as telas é Divergente,  embora não possua a mesma qualidade, mas ainda chama atenção por ter um bom elenco e uma história passível de identificação.

O filme se passa em um futuro onde o mundo foi devastado pela guerra, nesse ambiente Beatrice (Shailene Woodley) tem que escolher entre as diferentes facções que a sociedade está dividida. Ela passará por um teste para definir em qual das quatro facções se encaixará, são elas: Amizade, Abnegação, Audácia, Erudição e Sinceridade. Seu teste é inconclusivo, sendo ela uma Divergente o que a põe em imenso perigo, uma vez que pessoas desse tipo são caçadas de forma implacável por Jeanine (Kate Winslet). Todos esperam que  ela escolha sua facção de origem, Abnegação, mas Beatrice surpreende a todos e até a si mesma quando decide pela Audácia, onde irá passar por um duro treinamento e conhecer o misterioso Quatro (Theo James) e tentar esconder o segredo sobre seu teste.

Divergente nos apresenta um futuro distópico em que a sociedade precisa ser rigorosamente categorizada, uma radicalização dos rótulos aos quais somos submetidos perante a sociedade, isso é particularmente eficaz quando se pensa na adolescência, quando parece ser necessário encaixar-se dentro de grupos específicos com características específicas. Infelizmente essa questão é eclipsada quando o filme entrega versões terrivelmente estereotipadas das facções, que reforçam de forma inútil uma característica que já está contida no nome das mesmas. É só observar as cenas, de péssimo gosto inclusive, que os membros da Audácia são vistos pulando de trens em movimento ou subindo em lugares muito altos sem qualquer objetivo aparente.

Essa simplificação torna alguns aspectos da história inverossímeis, é dificil acreditar por exemplo o porquê da existência dos sem facção (algo como pessoas sem teto), talvez isso seja explicado nos próximos filmes, mas em uma sociedade que aparentemente segue princípios de trabalho coletivo, quase uma espécie de socialismo, a existência desse grupo é incoerente, pois não iriam eles causar eventualmente problemas sociais? Talvez o longo tempo gasto com o longo treinamento de Tris fosse melhor empregado com um esforço para explicar melhor o funcionamento daquele universo, pois mesmo que faça parte de uma quadrilogia o filme precisa funcionar de maneira independente, fechada. Mesmo assim, é necessário chamar atenção para o fato de que, para aqueles que não leram a obra de origem, é possível um bom entendimento do que é mostrado em tela.

A despeito dos problemas com roteiro, a obra possui virtudes, a primeira delas é sem dúvida o elenco. Shailene Woodley que já chamava atenção como a filha adolescente de George Clooney e Os Descendentes, segura o filme muito bem, consegue convencer como uma protagonista bem trabalhada que passou pelas sucessivas transformações propostas na obra. Sua química com Theo James é excelente, sendo o próprio, além de bem apessoado, um ator capaz de ir do antipático ao gentil sem parecer uma mudança de personalidade. A vilã representada por Kate Winslet, faz um bom trabalho mesmo que sua personagem seja unidimensional, ela faz o dever de casa corretamente aparecendo desde o primeiro momento a despeito de sua gentileza, ameaçadora.

Por funcionar como um filme de ação e aventura capaz de entreter o público alvo com sucesso, e também por oferecer uma crítica social capaz de agregar alguma coisa para este mesmo público, Divergente sobrevive por apoiar-se numa protagonista com conflitos interessante, travando uma batalha de autoconhecimento, tentado encontrar seu papel na sociedade. Algo com o qual o público alvo pode facilmente se identificar, não é perfeito,  mas cumpre o que promete.

Divulgaí

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