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Crítica: Ted Bundy - A Irresistível Face do Mal

Acaba que, se o espectador nunca ouviu falar de Ted Bundy ou de seus crimes medonhos, o filme faz pouco sentido e padece de certa pobreza na mensagem – que só se revela ao final,
Ted Bundy - A Irresistível Face do Mal


Talvez para muitos de nós aqui no Brasil, o nome “Ted Bundy” não signifique muita coisa, mas para o público americano, o nome remete diretamente a um dos serial killers mais famosos da história, responsável diretamente por uma onda de dezenas de assassinatos brutais ocorridos durante a década de 70 por lá. Muito provavelmente por causa desta associação imediata que faz a audiência doméstica dos Estados Unidos, o novo filme, do desconhecido diretor Joe Berlinger, não se preocupa em detalhar muito do que se trata o fascínio sádico que a carreira de homicídios do famoso assassino exerce e acaba fazendo de seu filme “Ted Bundy: A Irresistível Face do Mal”(2019) uma obra onde o tempo todo falta alguma coisa.

Berlinger é mais conhecido como documentarista e esta influência é bastante clara na opção por muitos ângulos de câmera jornalísticos – mesmo quando não está representando filmagens reais de Ted Bundy – e pela bem-vinda inserção de imagens reais de entrevistas e telejornais ao longo da produção. O filme não está interessado em nos contar quem é o Ted Bundy - interpretado com muita cautela por Zac Efron (de Baywatch, 2017) - mas conduz sua história através da percepção – e profunda negação – de sua namorada na época de seus julgamentos, Liz Kendall, que aqui ganha vida na pele de Lily Collins novamente mantendo a qualidade habitual de seus trabalhos recentes (como em Tolkien, também de 2019).

O longa começa quando Ted (Efron) é preso e identificado por causa de um deslize de trânsito e segue até sua morte na cadeira Elétrica mais de uma década depois. Nesse ínterim, o assassino, que já era notório devido aos crimes, se tornou uma verdadeira celebridade demonstrando ser incrivelmente brilhante, charmoso e esperto, tendo dado várias entrevistas, fugido de prisões, feito sua própria defesa e sendo protagonista do primeiro julgamento televisionado da história dos Estados Unidos. Como acompanhamos a perspectiva de Liz (Collins), mesmo quando ela não está em cena, em momento nenhum vemos o protagonista cometer crimes, ou mesmo estes crimes – e a atrocidade deles – são mostrados, ou ainda vemos Ted sendo malicioso, perverso ou maquiavélico. Sim, esta escolha é proposital e inteligente, mas como eu disse no início, causa uma certa estranheza, principalmente enquanto vemos Zac Efron e seu tipo meio espertalhão sendo caçado em diferentes estados e pessoas o tempo inteiro falando do sadismo dos crimes de que ele é acusado, mas nós, público, não vimos nenhum deles. Entendemos a negação de Liz, mas ela ficaria muito mais clara se nós também víssemos do que Ted era capaz, para fazer um contraste real entre o tamanho da obviedade que a namorada apaixonada insistia em ignorar tão abnegadamente.

Acaba que, se o espectador nunca ouviu falar de Ted Bundy ou de seus crimes medonhos, o filme faz pouco sentido e padece de certa pobreza na mensagem – que só se revela ao final, de forma até muito boa, mas sem anular a falta que alguma cenas chocantes fizeram ao longo do caminho. O título original da obra “Extremely Wicked, Shockingly Evil and Vile” – “Extremamente Perverso, Chocantemente Malvado e Vil”, em tradução livre – faz referência a uma fala que o juiz que condenou Bundy à pena de morte (na pele do sempre competente John Malkovich) proferiu se referindo aos seus crimes no ato da sentença, mas que somos obrigados a acreditar apenas pelo crédito de quem está falando, já que em momento nenhum vimos o protagonista agir nem próximo daqueles adjetivos durante o filme – muito pelo contrário.



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