Loucos por Filmes

Loucos por Filmes

Destaques

Últimas

Navegue aqui

Crítica: Beatriz

Sua proposta transgressora tem uma execução confusa e não entrega o que prometia.
Beatriz

Beatriz, o novo longa do diretor Alberto Graça (O Dia da Caça e Memórias do Medo), rodado em Lisboa e protagonizado por Marjorie Estiano e Sérgio Guizé, destaca o amor sob a ótica do erotismo e levanta a questão de liberdade e prazer feminino. O cenário deslumbrante de Lisboa sustenta bem as passagens do filme, a ideia primária é curiosa e bastante criativa, mas a condução do roteiro peca por não encaixar os seus eventos na proposta.

Com uma promessa de narrativa interessante, especialmente graças à curiosa premissa e seu personagem principal, o filme acaba por se perder em sua abordagem, principalmente por um roteiro confuso e que não sobrevive a condução dos acontecimentos, mesmo com a atuação inspirada de Marjorie Estiano.

Apesar do êxtase dramatúrgico de Estiano, não há mais qualquer atuação que se destaque. Todos os personagens estão desimportantes aos arcos, e o filme parece só funcionar para Beatriz, justificando o título do longa. O personagem de Guizé, apesar de ser o condutor das ações do filme, é seguramente um dos equívocos, com uma personificação de um homem desinteressante e uma atuação mecanizada. Se Marjorie Estiano se esforça e representa bem esse amor doentio, Sérgio Guizé falha em apresentar sua paixão e motivações. Em uma atuação apagada e sem carisma resume-se a representar um personagem de paranoia crescente que pouco oferece de interessante ao espectador. O elenco ainda conta ainda com atores portugueses desconhecidos no Brasil, como Beatriz Batarda, Luís Lucas, Margarida Marinho e Paulo Pinto que tem pouco atribuição de importância ou ajudam a conduzir ações. As várias idas e vindas de Lisboa a Madri que Marcelo faz, soam totalmente desnecessárias, sem nenhuma função narrativa e pouco fundamentadas na trama como um todo.

No enredo, a advogada Beatriz larga o Brasil e se muda para Lisboa com o marido Marcelo, um jornalista que escreve contos eróticos para uma revista. A vida do jovem casal é preenchida por excitantes jogos eróticos e sexo em locais públicos. O destino da relação muda quando Marcelo cede às propostas de um editor basco (Xavier Estévez), que o convence a produzir um novo romance baseado na própria vivência do casal. Ele larga o emprego e decide se dedicar apenas a escrever o novo livro. Quando ele aceita a oportunidade de escrever o livro começa então a usar a história do casal como inspiração para a história. É quando Beatriz fica grávida e Marcelo fica totalmente insatisfeito com a situação, pois seria um empecilho para as inspirações que a mulher lhe proporciona para escrever sua história. Ele então aborta e começa a experimentar experiências eróticas com ou sem ele para ajudá-lo a fazer sua história de sucesso. Para atender as necessidades inspiradoras do marido, Beatriz mergulha em um abismo de depravação que inicia em provocações sedutoras a estranhos em bondes e passa para encontros em inferninhos e transas com homens e mulheres desconhecidos.

Beatriz é um filme de produção excelente e uma bela fotografia, mas não consegue salvar um roteiro obscuro e sem força. O filme até passa por uma tentativa de amadurecimento, que lamentavelmente não acha eco no argumento confuso. Há outro problema que se apresenta na proposta conclusiva que é a misantropia apresentada no jogo de cenas entre Marcelo e Beatriz, que pode confundir o público, especialmente por ser a mulher o principal alvo das pressões físicas e psicológicas, levando-se a se refletir que a trama é machista.

Beatriz desperta o interesse no início, acaba se perdendo no meio e chega ao final se arrastando. Sua proposta transgressora tem uma execução confusa e não entrega o que prometia. O que sobra na encenação são as transformações da personagem principal que tem potencial, mas ainda assim poderiam ser mais profundas, complexas e gerar maiores nuances nos arcos dos personagens secundários.



Deixe sua opinião:)

Mostrar comentários 💬