Loucos por Filmes

Loucos por Filmes

Destaques

Últimas

Navegue aqui

51º Festival de Brasília - Mostra Competitiva (21/09) - Eu, Minha Mãe e Wallace e Temporada

O penúltimo dia de Mostra Competitiva trouxe um curta carioca e um longa-metragem de Minas Gerais – de onde saíram, inclusive, os vencedores das duas últimas edições do festival.
51º Festival de Brasília - Mostra Competitiva
Foto: Assessoria de Imprensa/Humberto Araújo

O penúltimo dia de Mostra Competitiva trouxe um curta carioca e um longa-metragem de Minas Gerais – de onde saíram, inclusive, os vencedores das duas últimas edições do festival.

Primeiramente, os recados importantes:

Quem quiser pegar as sessões perdidas (somente as do dia anterior) pode comparecer ao Museu Nacional da República. Os horários estão disponíveis no site www.festivaldebrasilia.com.br.

Aos interessados em comparecer – e apesar de correr risco de lotação – sugiro não chegar em cima da hora, principalmente nos horários da Mostra Competitiva (depois das 18:00), já que existe uma porção da sala reservada para os veículos de imprensa. O estacionamento está em obras e a forma mais fácil de encontrar vagas é nos blocos residenciais das proximidades (Entrequadra Sul 106/107). O melhor conselho é optar pelo metrô e os aplicativos de transporte.

*Há um desconto no Uber especial para o Festival (cód: FESTIVALDEBRASILIA).

Vamos aos filmes:

EU, MINHA MÃE E WALLACE (Irmãos Carvalho, ficção, RJ, 23 min)


A sinopse oficial do curta oferece apenas “A história de uma fotografia: uma mãe solteira, um pai ausente e uma criança”.

A capacidade de síntese da frase reflete o trabalho dos irmãos gêmeos cineastas do morro do Salgueiro. Os 23 minutos são suficientes (até menos) para estabelecer o ambiente, apresentar o protagonista e fazer o público entender seu conflito de forma envolvente.

O homem, vivido por Fabrício Boliveira, no dia de sua saída temporária da prisão, visita o irmão à procura de resolver questões pessoais relativas à sua família. A interação inicial é cheia de subtextos e temos alguma ideia do passado pelas reações de cada um. Antes de começar a sessão, o montador da obra disse que procurou não tirar trechos que julgava “coisas pequenas” e que seriam mais importantes pela naturalidade do que por questões formais. Apesar disso, o começo poderia ser condensado diante da eficiência da segunda parte da narrativa.

E é nela que a história se fortalece pela ótima construção do conflito usando de bastante sensibilidade e capacidade de dizer muito mostrando pouco. É pouco tempo, mas o espectador sente a tensão e torce para o sucesso do personagem. No caminho, a câmera procura explorar o pequeno ambiente e dinamizar a narrativa. Por vezes, ela exagera em planos muito incisivos e frontalmente subjetivos, mas acerta muito na composição do espaço para cada que cada um ganhe seu momento. Com isso, ganha o conjunto e a imagem final bastante significativa.


TEMPORADA (André Novais de Oliveira, ficção, MG, 113 min)


Juliana (Grace Passô) acaba de se mudar de Itaúna para a periferia de Contagem. Após ser chamada em um concurso público, ela passa a trabalhar na prevenção de endemias (como a Dengue) visitando as casas da região para investigar possíveis focos de transmissão de doenças.

O diretor André Novais de Oliveira já tem no currículo alguns conhecidos do público mais ligado na produção nacional, como Quintal e Ela Volta na Quinta. Aqui ele volta a explorar o personagem comum pelo naturalismo. É notável sua capacidade de dar importância e conferir aspectos dramáticos ao mundano. O ritmo cadenciado e a não necessidade de se apoiar em trilhas assertivas eleva a simplicidade dos conflitos universais à sociedade: a procura por um bom emprego, um relacionamento estável e a realização pessoal.

O uso de alguns atores sem muita experiência se revela um acerto, já que vários deles parecem personagens para quem não conhece muito o jeitinho mineiro. A familiaridade na forma como interagem e a espontaneidade capturada como se fosse um documentário são precisas e a sensação é prazerosa como escutar um parente de Minas Gerais contar dezenas de histórias durante o cafezinho. O humor cai como uma luva em um festival onde há tanta mensagem política explícita e seriedade.

O uso de planos longos oferece a chance de brilhar a protagonista, além de extrair uma surpreendente construção dramática em cenas que parecem improvisadas. Cada uma delas aproveita o silêncio e os “tempos mortos” para colocar Juliana na tentativa de restabelecer sua vida após um acontecimento traumático. Ao invés de recorrer a grandes explosões dramáticas ou reviravoltas, o longa atinge o difícil resultado de passar humanidade ao público através de um cinema que tem a aparência de passivo.

À medida que avança a história, entretanto, a obra começa a estacionar demais, e o que era tão acertado passa a não surtir o mesmo efeito. A insistência em alongar demais vários momentos que não avançam em nada nem a trama e nem os personagens torna uma possível abordagem preciosa para um “média metragem” em um longa que pesa demais suas quase 2 horas de duração. Entre os belos aproximadamente 50 minutos e um final simbólico há um longo buraco que poderia ser facilmente lapidado.

Apesar da ressalva, Temporada ainda agrada e é, possivelmente, o longa mais humano do festival até agora.

3.5/5       

Deixe sua opinião:)