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Os 10 melhores filmes de “Brian De Palma”

Dentre alguns sucessos massivos de sua carreira, como Carrie – A Estranha, Vestida para Matar, Os Intocáveis e Missão: Impossível, a verdade é que a carreira de De Palma foi muito mais marcada por polêmicas infundadas e críticas injustas a seus filmes
Os 10 melhores filmes de “Brian De Palma”

Com o lançamento do excelente documentário De Palma programado para o próximo dia 24 de novembro, é impossível não fazer uma recapitulação sobre os filmes desse grande cineasta que é Brian De Palma.

Grande admirador, e estudioso, do cinema de Alfred Hitchcock, De Palma foi muitas vezes tachado de copycat do Mestre do Suspense, um título extremamente reducionista, já que seus filmes sempre trazem uma personalidade particular.

De Palma é reconhecido pelo seu padrão único de estilização de direção, que utiliza recursos como tela dividida, planos sequências, zooms e travellings para acentuar o suspense e a apreensão do espectador. Alguns elementos do roteiro também são recorrentes em seu cinema, como a presença de femme fatales, gêmeos maus e voyeurismo.

Notável também são as parcerias com roteiristas talentosos que De Palma criou, com destaque para nomes como Paul Schrader, Oliver Stone e David Mamet, bem como, compositores imortais como Bernard Herrmann, Pino Donnagio, Giorgio Moroder e Ennio Morricone.

Apesar disso, De Palma, influenciado pela nouvelle vague francesa, foi um dos principais cineastas da fase do Cinema Novo Hollywoodiano, acompanhado por outros talentos como Martin Scorsese, Francis Ford Copolla, Peter Bogdanovich, William Friedkin e tantos outros. Ainda assim, De Palma nunca recebeu toda a atenção e reconhecimento que merece.

Pegue como exemplo o ano em que Scorsese ganhou o prêmio de Melhor Diretor por Os Infiltrados no Oscar de 2007, em que ele estava acompanhado por três de seus companheiros de atividade dos anos 70 (Steven Spielberg, George Lucas e Francis Ford Copolla); porque De Palma não se encontrava presente mesmo sendo um dos nomes mais importantes dessa geração e tendo influenciado esses mesmos companheiros de ofício?

Dentre alguns sucessos massivos de sua carreira, como Carrie – A Estranha, Vestida para Matar, Os Intocáveis e Missão: Impossível, a verdade é que a carreira de De Palma foi muito mais marcada por polêmicas infundadas e críticas injustas a seus filmes. Filmes como Scarface, Dublê de Corpo, O Pagamento Final e Femme Fatale só foram ganhando o reconhecimento que merecem com o passar dos anos e pelo culto criado ao redor deles por cinéfilos, inclusive demais cineastas, como Quentin Tarantino.

A seguir, uma lista pessoal sobre os 10 melhores filmes desse grande diretor. Os filmes não estão em ordem de preferência, e sim, em ordem cronológica de lançamento. 


1 - Irmãs Diabólicas (Sisters, 1972)

O primeiro filme do diretor em que ele destila todo o seu conhecimento, e paixão, pelo cinema de Alfred Hitchcock na narrativa. Trazendo uma trilha sonora inquietante do mestre Bernard Hermann (antigo parceiro de Hitchcock), “Irmãs Diabólicas” é um suspense altamente estilizado e expressionista que já traz, de forma admirável, as técnicas de comando de cenas e sequências que tornariam o cinema de De Palma tão memorável. Praticamente um giallo Hitchcockiano. Ótimas atuações de Margot Kidder e Jenifer Salt.


2 - O Fantasma do Paraíso (Phantom of the Paradise, 1974)

Um dos musicais mais simbólicos dos anos 70, remetendo ao estilo libertário de Jesus Cristo Superstar e The Rocky Horror Picture Show. De Palma criou uma versão ópera-rock da clássica histórica de Fausto e misturou com O Fantasma da Ópera. Indo do rockabilly ao glam rock com excelentes canções compostas por Paul Williams, De Palma exibe uma energia inebriante do início ao fim do filme; pontuando as passagens com um senso de humor sarcástico e realmente divertido.


3 - Trágica Obsessão (Obsession, 1976)

A versão pessoal de De Palma para seu querido Um Corpo que Cai, Trágica Obsessão se beneficia de grandes atuações de Cliff Robertson e Geneviève Bujold para nos trazer uma trama que se revela ainda mais bizarra e perturbadora que a de Irmãs Diabólicas. O diretor explora o roteiro de Paul Schrader (o mesmo de Taxi Driver) para criar uma atmosfera de depressão e tragédia sempre acentuando a algo sobrenatural, da mesma forma que Hitchcock fez em seu clássico. Notável também, são as referências a Rececca, a Mulher Inesquecível. Primeira parceira de De Palma com o excelente John Lithgow, Trágica Obsessão só perde um pouco da força pela forma como se conclui.


4 - Carrie – A Estranha (Carrie, 1976)

Uma das melhores adaptações de Stephen King para as telas do cinema, se não a melhor, “Carrie” se beneficia tanto de um roteiro bem trabalhado, quanto de uma direção segura de De Palma; que leva a narrativa baseada em conflitos de personagens a um ápice aterrador de forma orgânica e cheia de simbolismos. FANTÁSTICAS atuações de Sissy Spacek e Piper Laurie (ambas indicadas ao Oscar em 1975), bem como uma inesquecível trilha sonora de Pino Donnagio. De Palma ainda tem a proeza de ter arquitetado uma das melhores cenas de baile da história do cinema graças à sua estilização arrebatadora. Clássico do terror.


5 - Vestida para Matar (Dressed to Kill, 1980)

A versão pessoal de De Palma para o clássico Psicose (De Palma faz com o elevador o que Hitchcock fez com o chuveiro). Com uma grande carga de suspense e erotismo, além de um clima autêntico de giallo, Vestida para Matar é um thriller com toques de horror que possui reviravoltas estonteantes e sequências inesquecíveis (destaque para aquela em um museu) que remetem a, não só Psicose, como também Cortina Rasgada e Um Corpo que Cai. De Palma lança mão de outra parceria de sucesso com Pino Donnagio e inspira boas atuações de Angie Dickison e Michael Caine. Um de seus maiores sucessos comerciais.


6 - Um Tiro na Noite (Blow Out, 1981)

Homenagem de De Palma ao clássico Blow Up – Depois Daquele Beijo de Micheangelo Antonionni, Um Tiro na Noite é considerado por muitos como o melhor filme do diretor. John Travolta, em um dos seus melhores momentos, se vê em uma trama que brinca com a metalinguagem em relação ao cinema em sua forma mais artesanal. A paixão de De Palma por sua arte nunca foi tão visceral quanto aqui. A trilha sonora intensa e a resolução perturbadora da trama são só a cereja do bolo. Clássico do suspense.


7 – Scarface (Idem, 1983)

Scarface é uma contextualização do clássico que Howard Hawks dirigiu na Era de Ouro de Hollywood, uma viagem trágica pela realização do “sonho americano”. Al Pacino dramatiza com talento o psicótico Tony Montana, entregando uma das melhores atuações de sua carreira. De Palma respeita o roteiro de Oliver Stone e não se priva de utilizar violência e sexualidade intensas para retratar aquele mundo regado à cocaína, utilizando seu expressionismo de forma tão crua quanto elegante. Destaque também para a trilha sonora de Giorgio Moroder. O primeiro da “trinca” de filmes de gângster do diretor.


8 - Dublê de Corpo (Body Double, 1984)

Mais uma vez De Palma utiliza o ambiente do cinema para criar um thriller metalinguístico de corpo e alma. O roteiro erótico, do próprio diretor, cria uma mistura arrebatadora e completamente voyeurística de Janela Indiscreta, Um Corpo Que Cai e Disque M Para Matar. Traz alguns momentos extremamente eróticos e outros aterradores (o assassinato do filme é inesquecível) com uma estética divertida dos anos 80 (a sequência musical com “Relax” é excelente), em uma narrativa que explora os ambientes e os acontecimentos de uma forma tão envolvente que não são necessários diálogos em vários momentos (como Hitchcock gostava de fazer). Destaque para a participação de Melaine Griffith, criando um paralelo com uma das loiras “hitchcockianas” mais clássicas, sua mãe Tippi Hedren.


9 - Os Intocáveis (The Untouchables, 1987)

Um dos maiores sucessos comerciais de De Palma, e responsável por dar o único Oscar da carreira de Sean Connery, Os Intocáveis traz a estética impecável de De Palma a favor de um filme de gângster clássica e edificadora que traz muito tons de um bom filme western. O filme conta com um elenco impecável (excelentes trabalhos de Robert De Niro e Kevin Costner) e uma trilha sonora fascinante do mestre Ennio Morricone. Apesar de ser um filme de estúdio, De Palma mantém sua mão firme no uso de violência necessária para a história e suas marcas estilísticas pessoais (destaque para a cena da escadaria que subverte O Encouraçado Potemkim). Um grande clássico do cinema.


10 - O Pagamento Final (Carlito’s Way, 1993)

Um dos últimos grandes filmes dirigidos por De Palma, O Pagamento Final talvez seja seu filme mais dramático e cheio de emoções humanas. Voltando ao ambiente da máfia e do crime organizado, De Palma retorna sua parceira com Al Pacino (em MARAVILHOSA atuação) em um papel que funciona simbolicamente como uma redenção de Tony Montana. O diretor soube equilibrar as tragédias de vida de um personagem maldito por essência, ao mesmo tempo que mantém sua marca estilística em momentos fundamentais. Um filme que merecia ser um dos grandes destaques no cinema dos anos 90 e da carreira do diretor, mas que foi injustamente fracassado em seu lançamento.


Menções honrosas: A Fúria (The Fury, 1978), Pecados de Guerra (Casualties of War, 1989), Síndrome de Caim (Raising Caim, 1992), Missão: Impossível (Mission: Impossible, 1996) e Femme Fatale (Idem, 2002).

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