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Crítica: Mogli - O Menino Lobo

O filme é eficiente na questão da nostalgia, há apenas um defeito mais visível que são as picadas de abelha no Mogli que somem misteriosamente, mas de forma geral consegue emocionar, causar tensão e ser divertido.
Realizada há incríveis 50 anos, a animação da Disney adaptada do livro de Rudyard Kipling "Mogli - O Menino Lobo" obteve enorme sucesso passando através das gerações conquistando crianças e adultos de todas as idades, com uma história onde um garotinho criado por lobos tenta ser convencido por uma pantera e um urso a encontrar sua verdadeira família, de seres humanos, e deixar a floresta antes que o perigoso tigre Shere Khan o encontre.

Essa nova adaptação em live-action da história é bastante fiel à animação original. Os principais personagens estão de volta e a escolha de elenco é espetacular. O garoto Mogli é interpretado pelo jovem promissor Neel Sethi, que passa uma excelente primeira impressão, conseguindo segurar completamente o peso do protagonismo. Os experientes Bill Murray e Ben Kingsley interpretam o urso Baloo e a pantera Bagheera, além de outros grandes nomes envolvidos como Idris Elba (Shere Khan), Lupita Nyongo'o (Raksha, a loba), Scarlett Johansson (Kaa, a cobra) e Christopher Walken (Rei Louie, o orangotango).

Talvez a principal diferença desta nova versão com a história original seja que tanto os animais como o próprio Mogli não estejam completamente convictos de que a aldeia dos homens seja a melhor opção para um garoto ser criado, mas há a questão da necessidade da partida de Mogli pela ameaça representada por Shere Khan. Este filme é muito mais uma aventura de auto-descoberta interna de Mogli (e dos outros personagens) e principalmente uma jornada conhecendo o verdadeiro coração da selva e os perigos que ali habitam.

Em uma época tão incerta quanto os anos 60, na qual a animação original foi concebida, a figura do homem já deixava de ser considerada em termos de ética e moralidade soberana no reino animal, levando em consideração tantas tragédias como a escravidão, as Guerras Mundiais e etc. Principalmente agora, com toda essa questão do desmatamento ambiental, das experiências científicas e descaso com os animais torna essa readaptação da história mais relevante do que nunca.

Para quem não conhece o motivo de Shere Khan ter tanto ódio dos homens, houve uma desavença entre ele e o pai de Mogli, que para salvar o filho queimou o rosto do animal, fazendo o perigoso tigre ficar com um medo mortal de fogo e um ódio enorme da raça humana. Mesmo que sutilmente, o filme aborda o tema da invasão humana ao habitat dos animais selvagens e os problemas que isso pode acarretar.

O roteiro de Justin Marks é impressionantemente bem amarrado e coeso, e digo isso pelo fato do mesmo ter sido responsável pela catástrofe "Street Fighter: A Lenda de Chun-Li (2009)", seu principal trabalho até aqui - embora já tenha sido anunciado como roteirista da sequência de Mogli e da adaptação do game Shadow of the Colossus.

Todo o filme é muito bem montado, com motivações plausíveis, a boa sacada da trégua, a criação de um problema crucial na abertura que obriga a história a se mover rumo a uma resolução, entre outros pontos muito positivos. Como eu mencionei anteriormente, todos os principais personagens enfrentam alguma lição ou têm uma mudança do início ao final do filme, o que demonstra o cuidado tomado com seu desenvolvimento.

Os pontos de virada da história são bem claros e a ótima direção de Jon Favreau (Homem de Ferro, 2008) faz com que o filme atinja a todas as idades, especialmente aqueles que tiveram contato na infância com a animação original - especialmente na década de 90, o auge do sucesso dos VHS da Disney - e amadureceram junto com o filme.



O tom de "Mogli: O Menino Lobo" é mais sério e sombrio, há uma sensação de perigo sempre iminente e um clima de tensão, mas isso não impede que as crianças de hoje em dia se identifiquem com a história e os personagens. Algumas músicas da animação também estão presentes, o que surpreendeu de certa forma, pois o filme parecia se encaminhar para um desenrolar da trama muito mais sisudo. Felizmente, tanto as canções como o alívio cômico de Baloo caem muito bem, amenizando bastante o clima pesado e tornando o filme muito mais divertido. Garanto que será possível até ver alguns marmanjos chorando pela emoção e nostalgia causadas.

Embalado por uma trilha de John Debney (A Paixão de Cristo, 2004), que pontua e descreve muito bem todo aquele universo com os sutis sons e ruídos da selva - auxiliado pelas já mencionadas canções originais - a música do filme atinge o objetivo de tocar emocionalmente as pessoas.

Visualmente, a produção também é um espetáculo. A computação gráfica não tenta passar "despercebida", claramente foi feito um trabalho para mostrar que aquela técnica foi propositalmente exibida daquela forma, ou seja, é como se eles dissessem: "Estamos fazendo uma animação diferente de tudo o que você já viu, equilibrando a realidade com a fantasia (de uma forma que fica difícil até de por em palavras). Bem-vindos ao novo live action do século XXI". A concepção da sequencia do Rei Louie é fantástica, deixando bem clara uma referência com o personagem de Marlon Brando em Apocalypse Now.

Levando em conta ou não a produção original, "Mogli: O Menino Lobo" é um filme que realmente vale o ingresso. Merece ser visto no cinema, por conta do seu visual e da história que é muito bem contada. A direção de Favreau consegue dar um ritmo muito forte para o filme, onde frequentemente há alguma cena de ação movimentando a história.

O filme é eficiente na questão da nostalgia, há apenas um defeito mais visível que são as picadas de abelha no Mogli que somem misteriosamente, mas de forma geral consegue emocionar, causar tensão e ser divertido sem exageros. Mais um grande trabalho dos estúdios Disney, que mostram que não ficarão obsoletos perante a ação do tempo, sempre conseguindo por meio de novas técnicas e formas, produzir muita magia com seus filmes.
Divulgaí

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