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Crítica: Capitão América: Guerra Civil

Um equilíbrio perfeito de humor no ponto certo com a unificação de vários heróis na mesma trama, e apesar de modificar a história na qual foi inspirado não entregando uma "guerra" como o título sugere, consegue usar todos os elementos a seu favor.
Crítica: Capitão América: Guerra Civil

Chegamos a um ponto no Universo Marvel onde tantos filmes e personagens foram apresentados que a trama precisa seguir em frente para manter o interesse das pessoas. Ciente disso, o estúdio tem feito um planejamento perfeito intercalando filmes solo de novos personagens com grandes produções que servem para estabelecer a relação entre os novos e velhos super-heróis no mesmo universo. O maior exemplo disso é seu novo filme "Capitão América: Guerra Civil", onde após os eventos de "Vingadores: Era de Ultron", os heróis passam a perceber as consequências dos seus atos, pois há muitas vítimas dos efeitos colaterais causados pelos confrontos catastróficos com os vilões que tentam destruir ou controlar a Terra.

Então o governo, representado pela figura do Secretário de Estado Ross (William Hurt), reúne e pressiona os super-heróis para que eles sejam controlados e só ajam de acordo com a determinação do governo, algo de certa forma bem parecido com o dilema sofrido pelo Superman no filme "Batman vs Superman". A diferença é que aqui todos os Vingadores estão sendo intimados, e não apenas um deles, o que acaba causando, é claro, divergência de opiniões e o pior: a divisão do grupo entre os que apoiam o Capitão América (Chris Evans), contrário a decisão e os que apoiam o Homem de Ferro (Robert Downey Jr.), a favor do controle do governo. Esse é o mote que impulsiona "Capitão América: Guerra Civil".

Longe de querer comparar a competência e qualidade dos filmes da Marvel e da DC, podemos traçar um paralelo da estratégia utilizada pelos dois estúdios. Ainda sem seu universo cinematográfico estar estabelecido, a DC/Warner pegou um evento mais intimista como a batalha entre Batman vs Superman e aproveitou a oportunidade para introduzir seu grupo de super-heróis, a Liga da Justiça. Já a Marvel/Disney pegou um evento de proporções muito maiores como a Guerra Civil (onde nas hqs aparecem heróis e vilões de todas as revistas, incluindo os X-Men, Quarteto Fantástico, Demolidor e Justiceiro) e por motivos contratuais e de estratégia, fez justamente o contrário. Com a vantagem de já ter seu universo unificado há um bom tempo, os realizadores conseguiram pegar essa história e transformar em um evento mais compacto e coeso, podendo encaixar o filme na sua fórmula que tem dado certo desde o primeiro Homem de Ferro, em 2008.

O comentário no parágrafo anterior serve para ilustrar que a recepção mista entre crítica e público sofrida por "Batman vs Superman" dificilmente será repetida aqui em "Capitão América: Guerra Civil", pois onde um estúdio tomou uma decisão super arriscada, o outro tem a possibilidade de pegar o que deu certo em "Vingadores (2012)" e melhorar o que não agradou em "Vingadores 2: Era de Ultron (2015)", por exemplo. Mais uma vez sob o comando dos irmãos Anthony e Joe Russo, de "Capitão América 2: O Soldado Invernal (2014)", o filme investe grande parte das suas 2 horas e meia de duração em uma trama política, repleta de espionagem e segredos, mas não abre mão do humor habitual que torna os filmes da Marvel bastante divertidos.

"Capitão América: Guerra Civil" é mais um filme sobre amizade do que sobre a própria Guerra. O ritmo no começo é bem lento, e se preocupa em estabelecer a origem do Soldado Invernal e a trama política, como a morte da fundadora da Shield - tia da agente Sharon Carter (Emily VanCamp) e praticamente decretando a extinção da agência no universo cinematográfico da Marvel -, uma operação na Nigéria liderada pelo vilão Ossos Cruzados (Frank Grillo) que é de grande importância para o conflito do filme, a apresentação do Barão Zemo (Daniel Bruhl) e do príncipe T'Challa de Wakanda (Chadwick Boseman), etc. O filme demora um pouco a engrenar até o Tratado de Sokovia ser anunciado, que coloca os amigos Steve Rogers e Tony Stark em direções opostas.



O filme mostra de forma rápida, mas plausível, a motivação de Tony querer ficar do lado do governo. Já o Capitão fica mais em uma espécie de dilema por ter que ficar ao lado do seu melhor amigo, Bucky (Sebastian Stan). Ou seja, essa grande variedade de opiniões ideológicas e fidelidade com os amigos é que vai posicionando uns heróis contra os outros no filme. Toda divulgação e trailers do filme deram e entender que as cenas de ação seriam inovadoras e espetaculares, mas a verdade é que, com exceção da cena do helicóptero, a sequência do aeroporto e um confronto mais próximo do final do filme, há muito daquela coreografia manjada e já vista anteriormente, especialmente os movimentos da Viúva Negra (Scarlett Johansson). A forma como os diretores Russo filmam as cenas de ação no início, com a câmera bem trêmula, atrapalha um pouco o espectador identificar com clareza os golpes, mas isso já é recorrente desde que os diretores trabalhavam na série Arrested Development, ou seja, é questão de estilo da direção.

A ação realmente engrena quando a briga já está declarada e Tony vai atrás de Peter Parker. Como o filme se passa em várias localidades, uma forma interessante de apresentar esses novos lugares foi colocar um letreiro enorme com o nome do local. Quando aparece o Queens, a platéia que conhece a origem do Spider (Tom Holland) vai à loucura. E de fato o cabeça de teia é uma das melhores coisas do filme. Jovem, nerd e meio desajeitado, seu personagem rende ótimos momentos e a juventude do ator bate perfeitamente com a experiência de Downey Jr., numa química perfeita. Alguns personagens têm participações bem reduzidas, como o Gavião (Jeremy Renner), o Homem-Formiga (Paul Rudd), o Falcão (Anthony Mackie) e a relação entre o casal Visão (Paul Bettany) e Feiticeira (Elisabeth Olsen), mas suas cenas são importantes para o filme, principalmente pelo alívio cômico que proporcionam.

Falando no humor do filme, as piadas começam meio fracas, mas conforme os atores mais cômicos vão entrando em cena, o filme abandona aquele clima mais tenso de espionagem e fica muito mais divertido e com cara de filme de super-herói. As piadas cotidianas passam a combinar muito bem com a história e culminam no melhor momento entre todos os filmes de super-heróis já feitos até hoje, que é a batalha no aeroporto. Uma sequência longa, onde vários personagens se destacam, especialmente o Homem-Aranha e o Homem-Formiga, e para qualquer fã fica extremamente difícil conter a emoção.

Considerando tudo isso, embora não seja tão simples afirmar que "Capitão América: Guerra Civil" é o melhor filme de super-heróis de todos os tempos, pois ao seu modo outros filmes como "Batman Begins" e "O Cavaleiro das Trevas", além de "Homem-Aranha 2" e do próprio "Soldado Invernal" têm qualidades enormes, pontualmente o filme acerta como poucos. Um equilíbrio perfeito de humor no ponto certo com a unificação de vários heróis na mesma trama, e apesar de modificar a história na qual foi inspirado não entregando uma "guerra" como o título sugere, consegue usar todos os elementos a seu favor.

A trama do vilão principal é um tanto insuficiente, mas o filme envolve de tal forma e proporciona tantos momentos de diversão e satisfação aos fãs e espectadores, que o saldo final é extremamente positivo e parece simples relevar essa questão.  Apesar de não ser inovador ou revolucionário, "Capitão América: Guerra Civil" é a prova que a Marvel tem total controle de seu universo e sabe dar ao público o que ele quer. Após um conturbado "Vingadores 2: Era de Ultron", o filme dá um gás muito maior aos filmes do estúdio e empolga na expectativa por tudo o que ainda virá pela frente.

Divulgaí

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