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Crítica: LUCY


É verdade que a carreira de Luc Besson não é feita somente de acertos, entretanto, seja para o bem ou para o mal, é difícil manter-se indiferente a suas obras. Seu novo filme, Lucy, é mais um capítulo controverso para o diretor. Ao que parece determinado a realizar seu próprio 2001, injeta toda sua habitual extravagância num emaranhado de teorias filosóficas e científicas pouco originais e de gosto do duvidoso, mas por incrível que pareça, produz um filme estupidamente divertido.

Lucy (Scarlett Johanson) é forçada para dentro de uma situação limite: é obrigada por mafiosos a transportar considerável quantidade de nova droga em seu estômago. Durante a tarefa, o pacote é rompido e a substância acaba sendo absorvida pelo corpo, o que desencadeia uma reação de surpreendente aumento de sua capacidade cerebral. No entanto, apesar de agora possuir cada vez mais habilidades, possui um limitado tempo de vida, no qual além de procurar uma forma de utilizar todo o conhecimento adquirido com a ajuda do professor Norman (Morgan Freeman), terá também de escapar de seus perseguidores mafiosos.

 Em primeira instância, Lucy é um exercício de estilo no tocante a direção de Luc Besson. Como de costume ele aposta numa montagem rápida, fragmentada e frequentemente a utiliza para reforçar determinadas ideias, mesmo que estas não sejam particularmente brilhantes. Sobre isso é preciso dizer (considerando o fato de que o diretor também assina o roteiro) que a despeito de seu talento, Besson definitivamente não é um grande pensador, suas proposições soam simplórias, inverossímeis.  Na verdade o único questionamento filosófico que Lucy inspirou em mim, foi refletir o que seriam dos grandes clássicos da ficção científica se os autores tivessem pouco talento e pouca imaginação.

Por outro lado, Lucy alcança êxito como filme de ação, ao mesmo tempo que toda a parafernalha conceitual pode afastar o espectador, seu ritmo é envolvente, e sua protagonista, carismática e principalmente forte, o traz de volta a história. A esta é preciso fazer justiça, sua jornada é alucinante, assisti-la acabando com aqueles que ultrapassam seu caminho é uma experiência essencialmente divertida. Nesses aspecto os créditos recaem sob Scarlett Johansson, que funciona tanto como garota ingênua e indefesa, no início do filme, tanto como assassina fria posteriormente, sua progressiva perda da humanidade é notável através de sua atuação. Mais um ponto para sua carreira que vem se tornando cada vez mais interessante.

Assim, Lucy é o melhor  que a obra tem a oferecer, uma personagem instigante, com poder de fogo imbatível,  o que nem sempre funciona bem pois as forças antagonistas a ela são pouco convincentes, mafiosos armados não passam nem perto de oferecer real perigo para alguém que consegue controlar matéria. Diante disso, Lucy falha na missão de ser um novo clássico da ficção científica, mas justamente seus problemas e extravagâncias agregam valor o suficiente para torná-lo um novo cult em potencial.

Divulgaí

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