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Crítica: GODZILLA

Crítica: GODZILLA
Godzilla retorna aos cinemas hollywoodianos pelas mãos do diretor Garreth Edwards, que produz um grande passo em relação ao embaraçoso Godzilla de 1998. Menos político que o original de 1954 e com sua própria parcela de erros, acerta por outro lado ao revestir o icônico monstro com um quê de força incompreensível e inevitável, uma criatura fascinante que assemelha-se quase a um Deus mitológico que aparece de quando em quando para restaurar o equilíbrio do mundo com seu próprio espetáculo de som e fúria.

Quinze anos depois de perder a mãe Sandra (Juliette Binoche) durante acidente em uma usina nuclear  no Japão, o soldado Ford Brody (Aaron Taylor-Johnson) é forçado a deixar sua mulher Elle (Elisabeth Olsen) e seu filho nos Estados Unidos e confrontar os fantasmas de seu passado ao retornar ao lugar da tragédia. Ele terá de lidar com seu pai Joe Brody (Bryan Cranston) que está convencido que a razão do acidente não foi um terremoto como noticiado pelas autoridades e está determinado a provar a existência de uma massiva criatura com potencial para destruir o mundo.

Após um início com o que parecem ser imagens de arquivo mostrando a primeira aparição do monstro e seus desdobramentos bélicos, que envolvem falsos testes nucleares que na verdade eram ataques ao Godzilla, o filme faz alguns saltos temporais para nos apresentar ao centro dramático do filme, que concentra-se no personagem de Aaron Taylor-Johnson e sua luta pela sobrevivência. Neste aspecto o filme é problemático, pois o drama do personagem, embora plausível, nunca chega a cativar profundamente, acaba não funcionando como um contraponto de força adequada para o colossal monstro. O resultado é que conforme a história progride, queremos ver cada vez mais Godzilla e menos soldado Ford e quando este aparece em tela a sensação é que o filme desacelera consideravelmente. 

No ato final isso chega a incomodar, quando o diretor corta de uma cena de ação potencialmente empolgante envolvendo o monstro, para a problemática humana, pode pensar que está criando suspense estrategicamente ao provocar curiosidade no espectador, mas o efeito é contrário, é como se um balde de algo fria fosse jogado sobre o público. Substituir entretenimento de alta volatilidade por drama que não é complexo o suficiente para segurar o interesse não é uma boa ideia. Não que o filme não possua bons momentos de suspense, o diretor sabe bem como criar momentos de tensão, constrói momentos fortes não somente do ponto de vista do impacto mas que são também muito belos visualmente.

A criação do suspense e desses belos momentos citados acima são fruto também da excelente direção de arte que torna o universo em questão mais ameaçador ao obstruir constantemente a visibilidade, por outro lado o filme fica um tanto escuro, o que pode causar incômodo para alguns caso visto em 3D. O design do som é também um ponto fortíssimo, passando pela forte trilha sonora que incorpora instrumentos orientais as batidas pesadas e pelos sons emitidos pelo monstros. Um exemplo da fusão desses elementos é um primoroso plano em que vemos Godzilla sair do meio da fumaça e poeira em um bairro com decoração chinesa, e o som é estrategicamente abafado para dar lugar a seu extraordinário rugido. A criatura que dá nome ao título surge sempre embebida por uma aura assustadora, misteriosa, mas que inspira respeito por sua excepcional existência.

Como disse, o filme aposta ao longo de grande parte de sua duração em criar uma atmosfera de pouca visibilidade, para somente em sua parte final podermos contemplar os monstros em toda a sua magnitude e os efeitos especiais não decepcionam, são sólidos mesmo para seres imaginários. Mesmo que não alcance êxito em todos os aspectos, de maneira geral o filme se sai de forma satisfatória quando foca no ícone do título, resgata a energia de inevitabilidade e catástrofe que reduzem a existência humana quase a insignificância perante Godzilla. Pelos seus méritos, pode também representar um novo marco zero que trará ao cinema uma nova remessa de batalhas em escala descomunal, e isso é positivo, quanto mais Godzilla melhor.

Divulgaí

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