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Crítica: Quando as Luzes se Apagam

E nesse estilo previsível, o que se destaca é toda a ambientação. Usando e abusando da luz e sombra por causa do tema, David consegue criar cenas interessantes, mas sempre dependendo de efeitos muito bem colocados
Crítica: Quando as Luzes se Apagam

Curta-metragens e o gênero de terror. Casal melhor do que esse apenas as sketches. O motivo? É fácil impressionar o público com algo de no máximo dez minutos. Os sustos não são diluídos em uma história maior e o enredo chega em seu clímax rapidamente, fazendo explicações mirabolantes e clichês se tornarem dispensáveis.

Por motivos como esse, os curtas de Mama e Quando as Luzes se Apagam são alguns exemplos de marcos do gênero que fizeram sucesso na internet, mas que poderiam muito bem continuar apenas na internet. No filme de estréia de David F. Sandberg, todo o estilo independente do curta Quando as Luzes se Apagam dá espaço para um terror comercial repleto de sustos.

“Mas esse não é o papel de um bom terror?”, se perguntam. Sim e não, mas este não é o caso. O longa com uma mãozinha de James Wan (Invocação do Mal) é um bom filme para se assistir no escuro do cinema, saltar da cadeira quando a figura de Diana aparece ou quando um dos personagens é arrastado pelo chão.

Bom até mesmo para arrancar umas risadas com as situações de alguns personagens. Mas apenas isso. Diferente do que todo o marketing promete, Lights Out, no original, é apenas mais uma pequena ideia que se transformou em um filme simples de 83 minutos, repleto de clichês de roteiro e personagens caricatos.

Em resumo, nada de inovador. Mas não se preocupe, isso não é algo ruim. O típico “clichezão” funciona com a ideia principal: um ser maligno que se esgueira no escuro. De forma bem rápida, o vilão é apontado e tudo toma o rumo certo para o final. Não há plots mirabolantes. Essa simplicidade se transforma em um benefício para o real papel do longa, assustar.

Além disso, vários dos elementos que constroem esse ambiente, como o estilo gótico da atriz principal, a criança apavorada, o namorado engraçado, são bem similares ao de Mama. Colocando na mesa mais uma semelhança com esse outro caso de curta que se transformou em longa.

E nesse estilo previsível, o que se destaca é toda a ambientação. Usando e abusando da luz e sombra por causa do tema, David consegue criar cenas interessantes, mas sempre dependendo de efeitos muito bem colocados, facilitando que o espectador entre nesse universo onde qualquer coisa pode sair da escuridão.

Não apenas a direção e concepção de arte trabalham com o claro e o escuro, mas o próprio roteiro diz em alto e bom som: “Não se pode fugir da escuridão”. Todo momento, quando se acha que tudo está bem, surge uma forma para o monstro sugir, seja debaixo da cama ou uma vela sendo apagada. Seja dia ou noite, tudo se torna motivo para ficar com medo.

Quando se trata de atuação, quem consegue se destacar é o ator mirim, Gabriel Bateman. Depois de ter marcado a série Outcast com a cena da barata, Gabriel retorna, desta vez, com um personagem mais fofo, que simpatiza rápido com o público. Ele, junto de Alexander DiPersia são um bom alívio no meio dessa luta entre o bem e o mal.

Mesmo que com todo o marketing, o público possa esperar um terror mais “cult” e “cabeça” – como Boa Noite, Mamãe e A Bruxa, algumas das estréias desse ano –, Quando as Luzes se Apagam consegue cumprir seu papel de blockbuster e promete agradar um grande público. E se calhar, quem sabe não surge uma continuação.


Divulgaí

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