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Crítica: GUARDIÕES DA GALÁXIA

Crítica: GUARDIÕES DA GALÁXIA
A despeito dos sucessivos acertos da Marvel Studios, é provável que sua já consagrada fórmula, uma divertida mistura de doses generosas de comédia e ação, não funcione para sempre, por isso mesmo é gratificante ver o estúdio arriscar-se ao explorar um grupo pouco conhecido do público em geral, e ir ainda mais longe, ao aproveitar tal oportunidade para trazer uma obra substancial e positivamente diferente das produzidas até então no filão dos Super-Heróis. Guardiões da Galáxia é corajoso por flertar com o exagero o tempo inteiro e adotar um tom quase galhofeiro, é uma aventura despretensiosa, inteligente e hilariante, um presente de infância com a embalagem de um blockbuster.

Em um universo futurístico o caçador de recompensas Peter Quill (Chris Pratt) acaba encontrando um misterioso artefato, o orbe, que coloca  em seu encalço um bando de mercenários, e também o cruel tirano Ronan (Lee Pace) que pretende usá-lo para destruir o planeta Xandar. O vilão então envia a implacável Gamora (Zoe Saldana) para recuperar o objeto. Todavia,  sua missão é interceptada pela dupla de mercenários Rocket (Bradley Cooper) e Groot (Vin Diesel) que também perseguindo Quill provocam uma grande confusão que coloca a todos na prisão, onde conhecem o vingativo Drax (Dave Bautista). Sem opções, Quill, Gamora, Rocket, Groot e Drax são obrigados a unir forças para fugir da prisão e derrotar Ronan.

Um dos principais méritos do filme é fazer com que os Guardiões da Galáxia realmente funcionem como uma equipe, embora o protagonista seja Quill o mesmo não toma lugar demais no filme, ou seja, o estrelismo presente em Os Vingadores (onde cada um necessariamente precisa de um momento "solo" para satisfazer os fãs), não tem espaço. O todo é mais importante, sendo assim, cada peça do grupo tem uma contribuição indispensável nos momentos decisivos, seja Rocket com sua inteligência avançada, ou Drax com a força bruta. Também do embate entre suas motivações e personalidades resultam momentos verdadeiramente engraçados e também ternos, de uma forma ou de outra isso reforça o surgimento não apenas de uma aliança de heróis, mas de uma forte amizade.

Tal química é garantida pelo ótimo trabalho do elenco, Chris Pratt, (o menos caracterizado do elenco), é a escolha perfeita para o papel de Quill,  seu timing cômico é espontâneo, o que rende uma divertida ambiguidade ao seu personagem, que convence tanto como um malandro oportunista, quanto como um garoto valoroso e ingênuo. Enquanto a Gamora de Zoe Saldana é impassível, perigosa, mas sempre sedutora. Dave Bautista faz um bom trabalho, e seu porte de fisiculturista é por si só digno de nota, afinal como controlar um maníaco que não entende metáforas daquele tamanho? Rocket e Groot, são personagens computadorizados, sendo que no primeiro caso a voz de Bradley Cooper é responsável por conferir carisma e graça ao Guaxinim, enquanto que Groot é ajudado pelo roteiro, montagem e também pelo visual amigável já que sua fala no filme restringe-se a "Eu sou Groot".

O visual aliás,  corresponde a outro ponto marcante do filme, que preocupa-se em imprimir uma aura retrô com toques futurísticos ao universo, o que além de lembrar o estilo Steampunk, faz tributo as adoradas ficções científicas das décadas de 1970 e 80, como Star Trek e a própria franquia Star Wars, dadas as devidas proporções. Tudo inspira uma certa sensação de nostalgia que é intensificada pela trilha sonora características do período citado, lá pelas tantas, pode ser que o espectador sinta-se assistindo a um episódio de uma querida série de TV que gostaria nunca tivesse terminado.

O mais surpreendente entretanto no projeto é que desde os primeiros trailers Guardiões da Galáxia sugeria uma vibe extravagante que permeava cada pequena cena: o visual afetado, os diálogos, os personagens esquisitões, tudo numa  mistura arriscada que poderia dar muito errado, mas deu muito certo. O resultado é uma tremenda surpresa, justamente por atuar na fronteira entre o ridículo e o formidável, os erros empalidecem diante de sua despretensão e coragem. Por isso, a obra representa um passo adiante para os filmes de heróis, pois, assim como foi Homem de Ferro  em 2008, é um experiência essencialmente divertida, irreverente, e até um pouco cínica,  mas que resguarda qualidades perdidas desde então: personalidade e originalidade. Essas e outras qualidades, fazem deste o melhor filme da Marvel Studios até então.

Divulgaí

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