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Crítica: Sem Amor

Um filme marca a nossa memória por fazer diferença em algum quesito. Sem Amor deixa sua marca por ser profundo e brutal e, ao mesmo tempo, lindo.

Dois pais à beira de um divórcio complicado e uma criança que tenta encontrar um refúgio inexistente. O filme Nelyubov (que ganhou tradução como Loveless e Sem Amor, em inglês e português), originalmente russo, é demais para passar despercebido. Certamente não é um filme passatempo, mostra-se muito mais profundo, tocante e agoniante nas longas duas horas de duração. O que faz essa produção ser tão particular é o modo como ela retrata o acontecimento e os personagens ali inseridos no contexto de desespero, solidão e procura de respostas. O filme pega o espectador no ponto fraco: A solução, ou a omissão dela.

Zhenya (Maryanna Spivak) e Boris (Aleksey Rozin) não são o mesmo quando se casaram. Um relacionamento conturbado os levou a decisão da separação, e com isto a decisão também do que será o futuro do pequeno garoto Alexey. A criança foge e some, fazendo com que os pais tenham que lidar com seus problemas pessoais e focar em achá-lo.

Durante todo o enredo, se espera uma história de busca e compreensão de como a falta de amor pode fazer as pessoas tomarem decisões extremas. Mas o diretor Andrey Zvyagintsev entrega, além disso, um grande tapa na capa de quem assiste. É tenso observar toda a trajetória dos personagens, a expressão de indiferença dos pais no que a criança poderia sentir enquanto se ofendem no cômodo ao lado, um sistema russo complicado que envolve a polícia e outros processos administrativos, e um desfecho real. A realidade é bruta e inevitável.

Quando o filme acaba, percebe-se que realmente não é um clichê americano. É um verdadeiro drama atordoante. Com sua produção impecável, um roteiro que mata com suas descrições e a bela fotografia num inverno rigoroso, Sem Amor passa a ser significativo quando propõe ao espectador que saia de sua zona de conforto e venha torcer, se assombrar e se maravilhar com esta história. A montagem e a edição ajudam muito no clima tenso das cenas, em alguns momentos vem à cabeça, vagamente, o mesmo método usado em Manchester à Beira-Mar, ganhador do Oscar ano passado. Um método que prende a atenção e funcionam.

Um filme marca a nossa memória por fazer diferença em algum quesito. Sem Amor deixa sua marca por ser profundo e brutal e, ao mesmo tempo, lindo. Este foi indicado à categoria de Melhor Filme Estrangeiro e merece seu destaque. Com certeza, um grande concorrente que pode levar a estatueta pela grandiosa e emocionante experiência que nos proporciona.

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