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Crítica: O Assassino - O Primeiro Alvo

Crítica: O Assassino - O primeiro Alvo

"O Assassino: O primeiro alvo" já é ruim antes de começar, com um título pouco chamativo. Sem falar que, no filme, não conseguimos identificar qual o primeiro alvo - seriam os terroristas? E quando começa o que temos é uma cena clichê, gravada no celular do protagonista Mitch Rapp (Dylan O'Brian) pedindo sua noiva (Charlotte Vega) em casamento numa praia. O que se segue é um ataque terrorista em que a sua noiva morre. O resto já é bem previsível para quem já viu o Justiceiro. No entanto, o roteiro se perde em si mesmo, e a história segue baixa, sem nunca decolar, tendo como "prólogo" a busca de Mitch pelo coordenador do ataque terrorista, para tanto ele passa por um período de treinos intensos e se infiltra na rede dos terroristas.

Enquanto isso, a CIA o usa de isca para pegar o dito terrorista. E após os soldados americanos o eliminarem, Rapp é recrutado para trabalhar pra a CIA e fazer parte do time de Stan Hurley (Michael Keaton), onde irá passar por um rigoroso treinamento. Em seguida, ele parte para o Oriente Médio junto a Stan e outros dois agentes, a fim de evitar a construção de uma bomba atômica, a partir de uma carga de Plutônio desaparecida. Na trama barata, quase a todo momento há cenas repetitivas de tiros e de pancadarias, em que os estrangeiros são sempre os vilões.

Ponto negativíssimo para o filme que, além de estigmatizar tudo no que se refere a filmes americanos de espionagem e "patrióticos", traz o esteriótipo de muçulmano terrorista, ao mostrá-los como apenas um mal a ser combatido pelos "heróis" americanos, sem sequer se importar em revelar suas causas e seus próprios dramas. Não, o filme vangloria a atuação da CIA no exterior e deprecia a cultura islâmica. Não é à toa que praticamente todos os personagens não-americanos do filme são assassinados friamente pelos americanos. Inclusive, há cenas em que os muçulmanos imploram para permanecer vivos, enquanto o verdadeiro grande vilão é um ex-agente da CIA (interpretado por Taylor Kitsch) também treinado por Stan Hurley, que pretende usar a carga de Plutônio desaparecida para construir uma bomba atômica junto aos iranianos.

Além do enredo sem graça, o roteiro deixa muitas brechas, inclusive em relação à continuidade. Erros gravíssimos como algum personagem saber de uma informação que ele não poderia saber e isso sequer causar estranheza nos demais, ou como ações executadas pelos personagens que não condizem com seus caracteres, ou como diálogos desnecessários. A fotografia não tem nenhum ponto alto, apesar de não apresentar falhas. A edição sofre com o roteiro, pois em algumas cenas simplesmente parece não ter havido preocupação com os cortes. A trilha sonora passa desapercebida. As atuações deixam muito a desejar, principalmente Shiva Negar (a atriz que interpreta a única mulher do grupo que vai ao Irã), com gestos muito forçados e falas perceptivelmente apenas decoradas. No entanto, por incrível que pareça, a direção tem alguns pontos que se destacam, como a cena da praia e uma cena de briga entre Mitch Rapp e sua parceira (Shiva Negar) ao descobrir que ela é uma infiltrada.

Um filme de esteriótipos que não parece ter nenhuma outra intenção senão promover a supremacia militar dos EUA e desprezar países do Oriente Médio, como o Irã, e suas culturas. No sentido político, inclusive, chega a ser um filme ridículo, enquanto no sentido técnico é razoável.


Divulgaí

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