Loucos por Filmes

Loucos por Filmes

Destaques

Últimas

Navegação

Crítica: It - A Coisa

o resultado é um filme que vai agradar a muitos, mas também não tem nada de espetacular, além de ser um filme muito mais de aventura do que de terror.
Crítica: It - A Coisa

Stephen King é um fenômeno, um fenômeno que produz fenômenos. “It - A Coisa” não fica fora dessa. A nova versão dirigida por Andrés Muschietti (Mama) nos mostra a força que uma história do autor pode ter no cinema. Com a estreia recente do péssimo “A Torre Negra” muitos fãs ficaram insatisfeitos com o resultado, um filme raso, ruim e que explora muito pouco o universo dos livros da série. No entanto, It vai no caminho oposto e promete agradar os fãs mais exigentes - que devem ter torcido o nariz ao ouvir a notícia sobre o reboot -, mesmo nos detalhes é possível ver a preservação da história e da narrativa.

É um filme maduro. A impressão que fica após sair da sala de cinema é a de que o filme visto ali é, antes de tudo, maduro. Um filme daqueles feito para todos os gostos, sem cair no lugar comum de virar um filme de Sessão da Tarde. Equilibra-se bem no humor, no terror, no drama e, principalmente, na aventura. Fiel à narrativa stephen-kinguiana, o filme pode parecer lento a alguns, ou mesmo um pouco sem núcleo. Mas assim é a forma que Stephen King conta a história.

A história do clube dos perdedores se passa na ficctícia cidade de Derry (onde, a certa altura do filme, é dito que desaparecem pessoas seis vezes mais que a média nacional dos EUA naquela época), no fim dos anos 80 - isso o filme mudou em relação a livro (em que o capítulo 1 se passa no fim dos anos 50), provavelmente para que o capítulo 2 (daí a 27 anos) se passe nos dias atuais. O clube dos perdedores é formado por sete crianças (típicos esteriótipos dos oprimidos da sociedade americana - um negro, um gago, uma garota com má fama na escola, um obeso, um hipocondríaco, um tagarela e um judeu - todos perseguidos pelos “descolados”, principalmente pelo rebelde Henry Bowers, interpretado por Nicholas Hamilton). Pode até parecer clichê (e talvez seja), mas Stephen King é o pai desse clichê.

Um ambiente tipo “Stand By Me” (uma história sobre infância, amizade e aventuras insólitas). Algumas cenas foram alteradas do livro para o filme (como a cena do congelador de animais e a cena de sexo grupal) e outras foram muito mais bem formuladas do que a primeira versão do filme.

Destaque positivo para os atores do grupo dos perdedores - o filme conta com poquíssimas participações de adultos, dentre elas, Bill Skarsgård (Pennywise, o palhaço dançarino) está impecável, numa atuação, ainda que escassa, frenética e verossímil -, por vezes, Finn Wolfhard (Richie, o tagarela) rouba a cena com seu humor, e Jack Dylan Grazer (Eddie, o hipocondríaco), com sua atuação madura e consciente, enquanto Jaeden Lieberher (Bill, o gago, líder do grupo) fica um pouco abaixo do esperado.

A fotografia fica na média, sem ter grandes momentos ou grandes gafes (como costuma acontecer em filmes de terror) e a trilha sonora é a típica de um filme de terror (quase sempre com o intuito de causar tensão). A maquiagem se destaca nas aparições de Pennywise e os cenários são sempre certeiros e coerentes. O roteiro, por seguir bem a estrutura do livro, se mostra bem elaborado e planejado.

Portanto, o resultado é um filme que vai agradar a muitos, mas também não tem nada de espetacular, além de ser um filme muito mais de aventura do que de terror. Não espere sustos, pois há muito poucos, e estes não funcionam, mas espere diversão, pois o filme é feito para envolver quem o assiste, além de proporcionar boas risadas para quem estiver disposto. E, apesar da qualidade, deve permanecer no território dos filmes que não são melhores que os livros nos quais se baseiam (ainda que o próprio Stephen King tenha afirmado ter visto o filme duas vezes e ter gostado muito - o que não quer dizer muita coisa, eu sei). Vale a pena o ingresso e, quem sabe, uma segunda ida ao cinema para conferir os detalhes.

Divulgaí

Deixe sua opinião:)