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Robert Valley fala sobre quadrinhos e animação no “Anima Fórum 2017”

Este ano, o evento apresentou grandes nomes como o diretor de arte da abertura da série Game of Thrones, Robert Feng, o animador Robert Valley
Robert Valley fala sobre quadrinhos e animação no Anima Fórum 2017

O Loucos Por Filmes esteve presente no segundo dia do Anima Forum 2017, que faz parte do Anima Mundi, onde palestrantes convidados vem ao palco para expor suas ideias, projetos e como conseguiram alcançar seus propósitos no âmbito audiovisual. Este ano, o evento apresentou grandes nomes como o diretor de arte da abertura da série Game of Thrones, Robert Feng, o animador Robert Valley que produziu diversos trabalhos no cinema e na música e o criador da série de animação Irmão do Jorel, Juliano Enrico, produzida pela Cartoon Network.

Assistimos à palestra do animador gráfico Robert Valley sobre como é o processo de criação de um graphic novel até a indicação ao Oscar deste ano na categoria melhor curta metragem de animação com “Pear Cider and Cigarettes”. Robert, que já fez muitos trabalhos visuais na música e nos livros, nos recebe atenciosamente e divide um pouco da sua história no mercado.

Robert iniciou a palestra contando um pouco de sua vida pessoal. Formado em animação no Emily Carr College, em 1992, Valley dirigiu diversos comerciais para marcas como Nike, Coca-Cola e Levis e depois se juntou ao Studio Passion Pictures em Londres, onde trabalhou com Pete Candeland em videoclipes da banda Gorillaz e dirigiu videoclipes para a banda Metallica. Valley também foi designer de personagem em Motorcity e Tron: Uprising e comandou os curtas Wonder Woman DC Nation, Shinjuku e seu curta “Pear Cider and Cigarrettes”, indicado ao maior prêmio do cinema mundial.

Após uma breve apresentação, Robert começa explicando um pouco dos seus traços e ferramentas utilizadas na produção de um trabalho, afirmando ser um frequente usuário do Photoshop. Ele explica que, no processo de produção, há alguns passos para seguir no tratamento da imagem antes de animá-la:
Sempre que vou produzir, começo pelo desenho de lápis e papel. Uso um lápis que tem uma ponta bem fina para fazer meu desenho duas vezes. É assim que faço antes de escanear para o computador, onde trabalho no Photoshop. A partir daí, consigo tratar a imagem e deixá-la o mais fiel possível ao traço que está nos livros.”
Valley reiterou que sempre deixa o mais fiel possível os traços na animação, desse modo, a dinâmica de junção dos desenhos dos quadrinhos às animações funciona. Ele mostra seus desenhos que fizeram parte de vários livros distribuídos na época para promover suas animações. Destacam-se as animações da Mulher-Maravilha e Shinjuku. Este último foi transmitido para assistirmos a sua tentativa (e a ideia, talvez) de começar um futuro projeto solo, já que até então ele trabalhava apenas para clientes.

O animador disse que Shinjuku não rendeu fundos necessários para continuar a sua produção: “Na época, tínhamos uma quantidade significativa de páginas para produção, mas não valia a pena. O dinheiro era muito baixo. Então eu pensei que talvez estivesse na hora de produzir algo que fosse meu e assim comecei a preparar meu curta.”, afirmou Robert.

Cena do curta Pear Cider and Cigaretters


Ao entrar na sua longa jornada para produzir seu curta “Pear Cider and Cigaretters”, Robert dispôs de toda sua trajetória em slides. Ele contemplava seus traços, as thumbnails, o processo de limpeza da imagem e a paleta de cores utilizada.
Houve uma época em que eu não coloria meus desenhos, porque não sabia como aplicar, não tinha conhecimento naquilo, pedi ajuda a um amigo meu com que trabalhava e me explicou algumas coisas. Então comecei usando o laranja em algumas cenas. Não exatamente como se fosse laranja mas como se fosse atribuído um novo tom ou um novo sentindo à imagem. Antes com minha paleta PB (preto e branca) era tudo mais simples, mas com um tom diferenciado eu pude extrair as cores foscas e as saturadas, que eu utilizava bastante para complementar ou realçar algum ponto da imagem que eu queria.

Robert brinca depois que, após descobrir essa ferramenta, passou a integrar outras cores à sua paleta:
Depois do laranja, meu amigo veio e me disse “por que você não usa o azul também?” Daí eu disse “caramba, sim, vou usar o azul também!” E então eu consegui fazer essa utilização consciente das cores em cada cena que eu criava.”
A partir daí, Robert trabalhou duro no seu curta e fez de tudo para conseguir promovê-lo e arrecadar a renda necessária pra seu lançamento final. Robert conta suas tentativas de conseguir quantias em trabalhos alternativos e a dificuldade em conseguir usar nomes de famosas bandas de rock no seu curta. Ele diz que algumas foram difíceis de contatar como Metallica e Iron Maiden, algumas nem tanto no caso de Pink Floyd, Kiss e outra nem foi possível realmente. A banda Rollings Stones não foi assertiva na proposta e recusou de primeira.

Robert contou, ainda, como foi dirigir clipes para o Metallica e para o Gorillaz, já que tinha contatos com ambas as bandas: “O Metallica pediu para eu fazer um videoclipe para a música “Murder One” que é um tributo a Lemmy, do Motörhead. A música tem 6 minutos e me pediram um clipe em 7 semanas. Foi muito difícil devido à margem do tempo, mas eu chamei dois companheiros para me auxiliar e acelerar o processo do vídeo”, afirmou Robert. Ele ainda diz sobre um videoclipe em especial, que foi feito com a tecnologia de realidade virtual 3D para a banda Gorillaz: “O vídeo de “Saturnz Barz” foi de minha direção e tive total liberdade para criar as imagens e as animações.” – complementou Robert.

Por fim, o animador mostrou seus últimos trabalhos, os videoclipes de “Murder One”, do Metallica, e “Saturnz Barz”, do Gorillaz, e o famoso curta metragem de animação Pear Cider and Cigarettes, na qual ele comenta que sempre foi visão dele ser indicado ao Oscar, mas não ganhá-lo de fato.

O filme é esplêndido, de altíssima qualidade, e é inspirador ver e conhecer de perto a história de um animador que passou por muitas situações e momentos duros de empenho até chegar ao seu objetivo. Foi gratificante conhecer um pouco dessa história. Ao ser questionado sobre futuros curtas, o animador brinca: “Quero continuar o que estou fazendo agora, alguns videoclipes e trabalhos paralelos. Quem sabe, mais para frente, eu faça um novo curta. Vocês saberão.”

Divulgaí

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