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Crítica: O Acampamento

Nos seus primeiros atos, o longa australiano lembra os realistas Hush: A Morte Ouve e Eden Lake, mas acaba se perdendo com o decorrer da trama – decepcionando na falta de construção de certos personagens (e no desfecho de outros), no descuido do enredo e na má execução de quase todas as características técnicas
Crítica: O Acampamento

Um filme de terror com história genérica, baixo orçamento, título pouco original e elenco desconhecido é o que basta para fazer um cinéfilo torcer o nariz e dizer “não” para um longa-metragem. O Acampamento é um filme que entra nessa controversa safra, mas ele tenta ir além dessas características estereotipadas, com uma atmosfera que depende de um forte suspense e uma estrutura não-linear. Mas infelizmente, ele não consegue alcançar seu objetivo e acaba tropeçando em suas próprias pernas. Dirigido por Damien Power (Peekaboo e Boot), o longa apresenta ideias e intenções interessantes, mas que são má executadas – configurando-se em uma grande mistura de poucos acertos e muitos erros.

Um casal, Sam (Harriet Dyer) e Ian (Ian Meadows), decide passar a noite de ano novo acampando na beira de um lago, onde encontram outra barraca do lado onde eles querem ficar – que supostamente está sendo utilizada. O tempo passa até que eles percebem que algo de estranho deve ter acontecido, porque ninguém apareceu depois de um dia inteiro. E logo, eles descobrem que os dois estão em na mira de dois psicopatas muito perigosos.

É interessante como a narrativa tenta fugir do comum, expandindo para três enredos interligados com uma cronologia diferente, porém isso ocasiona prós e contras. No lado positivo, a grande atmosfera de suspense que paira sobre o início e meio do filme é construída justamente por essa linha e estruturação, deixando o espectador querendo saber mais sobre a história – e o que aconteceu antes. No entanto, no negativo, isso ocasiona uma série de quebras de clímax – chegando a ser irritante quando uma cena está perto de ter seu momento mais intenso, ela é cortada para outra em outro tempo, extinguindo toda a apreensão que foi arquitetada.

A construção do filme acaba se apoiando em três “pilares”: realismo, terror psicológico e suspense – com uma boa dose de tensão. No entanto, tal fórmula é aplicada de maneira correta nos dois primeiros atos do longa, e após a revelação sobre o que aconteceu com a família, toda essa atmosfera construída decai de maneira inevitável. E O Acampamento cai direto naquilo que ele estava tentando não ser: um enredo totalmente genérico. A inteligência artificial dos personagens – que inexplicavelmente sempre tem o impulso de fazer as escolhas mais erradas possíveis – e a falta de cuidado com o desfecho de arco – o bebê, Ollie – são os principais erros que fazem o roteiro parecer mecanizado, seguindo o velho padrão generalizado.

A fotografia de Simon Chapman (The Devil’s Candy e Cut Snake) parece inexistente, o diretor tenta uma imagem crua – para realçar mais o realismo da premissa – mas isso resulta em cenas visualmente pobres e demasiadamente escuras nas cenas de noite, parecendo um total descuido. Sua cinematografia é interessante, mas é prejudicada pelo excesso de cortes da edição. São usados movimentos de câmera bem pensados – como por exemplo, na cena em que Sam está andando até o carro, enquanto o bebê está na trilha logo atrás; e no “tiro ao alvo” – e funcionam com a atmosfera do longa. A montagem aparece com pontos positivos e negativos, justamente pela transição de flashbacks e cenas no presente – que na maioria das vezes, cortam em momentos inoportunos.

O elenco está dividido drasticamente entre atuações boas e ruins. Os dois assassinos, German (Aaron Pedersen) e Chook (Aaron Glennane), estão ótimos em cena e transmitem toda a personalidade psicopática dos dois – sempre passando um sentimento de incômodo quando eles aparecerem. No entanto, as performances do casal principal está longe de satisfatória, com direito a expressões vazias e mãos que tremem a todo momento. A direção de Damien Power acerta em determinados momentos, mas erra ao tentar carregar o resto da narrativa e na condução dos atores.

Nos seus primeiros atos, o longa australiano lembra os realistas Hush: A Morte Ouve e Eden Lake, mas acaba se perdendo com o decorrer da trama – decepcionando na falta de construção de certos personagens (e no desfecho de outros), no descuido do enredo e na má execução de quase todas as características técnicas. No fim, O Acampamento consegue entreter o espectador – exibindo diversos momentos de suspense puro, que lembram o gênero de terror dos anos 70, que tinha como principal objetivo explorar o lado psicológico da trama –, mas é extremamente esquecível por sua genericidade.


Divulgaí

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