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Crítica: 150 Miligramas

150 miligramas é um ótimo filme engajado de crítica social e também de entendimento para o assunto debatido: a saúde e a contradição existente lá em 2009/2010.
Crítica: 150 Miligramas

Uma boa história se conta a partir de uma boa produção e seus derivados. Roteiro, partes técnicas, direção, atores. O que faz um filme ser completo é sua mensagem ser transpassada para o público de forma congruente ao trabalho complexo que é fazê-lo por si só. Quando a história é ficcional, nos atentamos aos detalhes utópicos ali criados e percebemos aonde o diretor quis chegar com tal mensagem. Quando a história é real, ou seja, baseada em fatos reais, nos atentamos ao nosso mundo, nossas referências e nossas influências e consequências acerca daquele fato. E perceber esses detalhes é o que diferencia a magia dos filmes com relatos reais dos que são irreais. Agora, fazendo uma ponte com o filme do título, pode-se afirmar que é um dos filmes baseados em fatos verídicos que merece destaque na nossa lista. Uma história de comove e agrada.

150 Miligramas é um filme francês que conta a história real de Irène Frachon, uma pneumologista que trabalha em um hospital na França e acaba investigando uma possível relação entre mortes suspeitas e uma medicação aprovada pelo estado usada para tratar a diabetes. Frachon corre em busca da verdade com a ajuda de seus companheiros de trabalho para impedir que mais vítimas sofram com o remédio. Esse drama envolvente conquista, faz com que torçamos pela equipe de médicos ao mostrar a batalha dura em ir atrás da justiça. O remédio ‘Mediator’ circulava em 140 países e até então não havia questionamentos a respeito do seu caráter prejudicial. As indagações começaram quando estudos sobre a falência cardíaca dos pacientes mostraram que o problema poderia ser aquilo que era indicado para salvar.

Com um elenco muito bem selecionado, o filme capta a essência da realidade e escolhe atores que são, pelo menos, um pouco parecidos com os reais. Sidse Babett Knudsen (Inferno/A série televisiva Westworld) interpreta Irène com perfeição e atitude, Benoit Magimel (A professora de Piano/De Cabeça Erguida) incorpora Antoine Le Bihan, o médico braço direito de Irène, e Isabelle De Hertogh (Baby Ballon/The Scapegoat) é Corrine Zacharria, uma paciente que está sofrendo um grave problema em suas válvulas cardíacas. Todos eles e os demais estão bem estruturados e cada um tem seu papel fundamental no desenrolar da trama.

A técnica desse filme é ótima. Emmanuelle Bercot, diretora do filme, soube filiar o ritmo hospitalar com um jornalismo investigativo. Com certeza, uma de suas obras-primas que merecem ser ressaltadas. A fotografia escolher cores mais neutras, apenas raras exceções quando cenas se passam foram do ambiente clínico, a edição e montagem são bem feitas, a música composta por Vector Lovers aumenta a tensão presente na carga dramática do filme, além de dar um toque a mais na composição pelo todo. Destaco aqui uma cena de cirurgia, na 2/3 parte do filme, que é incrível: Órgãos sendo retirados, exames feitos, concentração e médicos em volta de um corpo falecido. Parece ser uma cena muito real. Tanto é que, na nossa “realidade verdadeira”, aquilo infelizmente aconteceu. Portanto, quanto à técnica visual e edição, não há do que reclamar.

Em certo ponto do filme, parece que a tensão vai resultar num acontecimento final, mas de alguma forma isso ficou preso por mais tempo que precisava. Dá a impressão de uma leve enrolação no roteiro, algo que não tinha necessidade de ser feito, enquanto o longa vem num ritmo mais acelerado. Sobretudo isso não influência negativamente na qualidade do filme.

150 miligramas é um ótimo filme engajado de crítica social e também de entendimento para o assunto debatido: a saúde e a contradição existente lá em 2009/2010. A premissa consegue envolver o espectador e conquista, com o carisma e a força dos personagens, a nossa atenção. Em tempos onde histórias fictícias estão em alta, rendendo milhões de bilheteria por todo o mundo, histórias reais como de Irène Frachon estão aí, prontas para serem ouvidas, além de que elas informam e nos fazem cientes da condição em que estamos ou podemos estar um dia.


Divulgaí

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