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“Lino” no Anima Mundi: Rafael Libas e sua equipe comentam o filme

No último sábado (29/07), o CCSP (Centro Cultural de São Paulo) foi palco para o painel da mais nova animação nacional, Lino: Uma Aventura de Sete Vidas, que estreia dia 7 de setembro nos cinemas.
Lino no Anima Mundi: Rafael Libas e sua equipe comentam o filme

A indústria cinematográfica brasileira tem suas complicações. E a de animações, mais ainda. No entanto, graças à paixão de pequenas equipes brasileiras que trabalham em filmes animados e à vontade do festival Anima Mundi por divulgá-los, esse cenário tende a ficar cada vez mais promissor. No último sábado (29/07), o CCSP (Centro Cultural de São Paulo) foi palco para o painel da mais nova animação nacional, Lino: Uma Aventura de Sete Vidas, que estreia dia 7 de setembro nos cinemas. E o Loucos Por Filmes não poderia ficar de fora.

O Anima Mundi surgiu há 25 anos como apenas uma expectativa, uma pequena esperança de celebrar e divulgar o mundo das animações. Agora, após tantos anos, é um sonho realizado, um projeto que visa o futuro do cinema brasileiro. A animação brasileira já completa seu centenário e, infelizmente, isso é uma surpresa para a maioria dos brasileiros. A falta de uma atenção especial para os filmes animados aqui no Brasil, acarreta várias complicações para a produção e a distribuição desses filmes. É preciso muita dedicação para serem feitos e dependem demais de seu retorno.

O evento contou com a presença de Rafael Libas, o diretor de Lino, e sua equipe. Ele inicia o painel dissertando sobre a realização de animações brasileiras, que sempre foi (e ainda é) um processo difícil e cheio de obstáculos. A primeira dificuldade sempre é a mesma: a de que irão comparar as produções estrangeiras com as nacionais. Ele diz que tal comparação é inevitável, porém sem baseamento. O diretor ressalta a maior diferença entre as produções: o orçamento. E Libas, para dar um exemplo, coloca o orçamento largo de 200 milhões de dólares de Carros 2 em comparação com a de Lino, de apenas 2,5 milhões de dólares. Mas ele termina dizendo que, apesar da imensa diferença, Lino está no mesmo patamar. Rafael se diz orgulhoso do filme, dizendo que levando em conta o orçamento, é um trabalho impressionante e que ele jamais imaginou que o resultado final seria aquele. O diretor conta que as pessoas que já conferiram o filme, ficaram se perguntando se ele era nacional mesmo, o que o deixa feliz e triste ao mesmo tempo.
Eu ouvi coisas como 'mas nossa, esse filme é brasileiro mesmo?', e isso a gente fica orgulhoso de ouvir, mas ao mesmo tempo, ficamos um pouco triste. Porque o ideal seria que todos acreditassem que é brasileiro. Ao invés disso, eu queria ouvir ‘nossa, mais um filme bem feito, mais algo bom feito aqui no Brasil’.”
Rafael continua o painel contando que antes de começar a produção do filme, ele pensou em qual seria o primeiro passo de uma animação estrangeira de sucesso, então ele optou por escolher, primeiramente, um bom elenco para a dublagem. E acabou escalando Selton Mello para o papel de Lino, além de também contratar Paolla Oliveira e Dira Paes. O diretor conta o processo criativo do filme, que ele teve a ideia inicial da história em 2010 e logo contatou a produtora Fox. Então foram quatro longos anos de apuração de fomento e preparação da equipe, até finalmente colocar a produção da animação em prática. O diretor mostra no painel as ideias originais da história de Lino, onde não seria a fantasia de um gato, mas sim de um coelho. “Ainda bem que não escolhemos esse (risos)”, brinca o diretor. Ele conta que foram feitas pesquisas com crianças, onde foram mostrados vários esboços para elas e o diretor via qual desenho tirava uma reação melhor, até chegar ao molde final de Lino.



A equipe começa a explicar as etapas da produção, iniciando pelo concept art e desenvolvimento visual, que é a primeira parte da produção visual do filme, saindo direto do roteiro para o esboço. São rascunhos de como os personagens, cenários e objetos serão. Aqui também aparecem os colors keys, as referências feitas para as renderizações futuras. E tais esboços viram estúdios de cor, processo onde é decidido quais paletas de cores serão utilizadas em cada cena – pois cada uma passará um sentimento diferente, portanto, tem muita pesquisa e uma psicologia das cores interessante por trás de cada momento (o chamado color script, um estudo utilizando uma escala cores). E só depois, passam para a etapa de modelagem.

O filme tem, ao todo, 115 personagens. Libas conta que houve muito reaproveitamento de personagem para economizar tempo de modelagem e por conta do orçamento enxuto, portanto, para vários personagens foram usados o mesmo modelo e só trocavam suas características e texturas. Após feitos o concepts e os modelos, é hora da passagem para o tridimensional. Cada personagem, cenário ou objeto passa por esse processo para o 3D, onde cada um precisa ser feito e remodelado. O animador começa utilizando formas geométricas básicas em todo o esqueleto virtual como base, e moldando assim as partes assimétricas.

A equipe explica que como era pequeno o número de membros, as tarefas eram acumuladas e muitas vezes uma pessoa precisava fazer o trabalho de duas. E o planejamento de câmera - onde é decidido de quais ângulos cada cena será vista, como uma pré-visualização - e o layout - a ideia estruturada da história - foram realizados seguidamente por apenas um membro. Paralelamente, há a etapa do esqueleto virtual, quando os personagens começam a ficar “maleáveis”, onde os animadores começam a mexer nas articulações – estudando a anatomia deles e sendo possível controlar tudo no modelo – além de ser a etapa em que são animadas as características de cada um. Eles exibiram um exemplo com Lino, demonstrando as caretas que o gato podia fazer, a flexibilidade de suas juntas e mais particularidades únicas do personagem – onde foram criados um número impressionante de pelos para o corpo do protagonista, cerca de 1 milhão e 600 mil, que precisavam ser “penteados” para serem direcionados para as situações específicas do filme.

Em uma cena de Lino, ocorre uma breve parte de animação em 2D. Rafael Libas explica que essa, na verdade, é uma homenagem ao seu estúdio, que completa 51 anos desde que foi fundado. O diretor diz que queria um ar nostálgico para esse trecho, e nada melhor do que voltar às origens da animação.

Lino: Uma Aventura de Sete Vidas promete trazer inovações nas animações brasileiras. As cenas exclusivas exibidas no painel, impressionam por seus detalhes e mostram que o filme carrega um humor simples e clássico para fazer uma criança rir. Mas só poderemos conferir em sua estreia, no dia 7 de setembro deste ano.



Divulgaí

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