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Selton Mello e elenco falam sobre “O Filme da Minha Vida”

O filme impressiona por sua beleza, e a equipe que compareceu à coletiva impressionou com seu carisma.
Selton Mello e elenco falam sobre “O Filme da Minha Vida”

O Loucos Por Filmes marcou presença na coletiva de imprensa de O Filme da Minha Vida, que estreia dia 3 de agosto nos cinemas. O novo longa-metragem de Selton Mello é baseado no livro Um Pai de Cinema, escrito pelo escritor chileno Antonio Skármeta, que tinha desejo de ver uma obra sua sendo adaptada em terras brasileiras. Uma história sensível sobre amores, adequação ao mundo, erro e reparação, como agir diante os sonhos e como (não) fugir das sombras do passado.

O filme impressiona por sua beleza, e a equipe que compareceu à coletiva impressionou com seu carisma. Foi possível contar com a presença de Selton Mello, que além de dirigir e roteirizar o filme, também atuou como Paco; Vânia Catani, principal produtora e colaboradora; Johnny Massaro, que vive o protagonista do filme, Tony Terranova; Bia Arantes, que faz o papel da misteriosa Petra; e Ondina Clais, como a mãe do protagonista, Sofia Terranova.

Selton Mello começa a descrever o protagonista Tony Terranova, dizendo que ele é um nobre sonhador preso em palavras passadas. E diz que o filme poderia ser um grande sonho, confessando que pensou em adotar o título de Os Sonhadores para o longa-metragem. Mas não o fez pois Bertolucci já usara em seu filme de 2003. O diretor revela que a cena que mais evidencia a essência de um sonho, a qual as irmãs Luna e Petra dançam, foi tudo sua ideia a partir de uma única frase do livro que dizia que o protagonista se encanta ao vê-las dançando.

Vânia Catani conta que participou fortemente da produção do filme, tendo interferido até na trilha sonora. A produtora de longa data do diretor reforça a importância da escolha das músicas para a trilha e cita uma música em especial, I Put a Spell On You da Nina Simone, pela qual ela é apaixonada desde que assistiu Estranhos no Paraíso de Jim Jarmusch. Selton destaca a participação ativa de Vânia tanto na pré-produção, como na pós-produção. Ele conta que os dois conversavam muito sobre como seria a adaptação do livro de Skármeta, e como a produtora foi crucial no retrato final.



Em relação a Vincent Cassel, o diretor diz que foi o ator certo na hora certa.
O Cassel foi uma sorte minha e da Vânia, e dele também (risos). O Cassel está mais carioca que um carioca. Ele tem casa no Rio, joga capoeira, anda de moto pra lá e pra cá, fala português. Então ele era o cara certo na hora certa. Porque era isso: era um francês que vivia no Brasil há muito tempo. E ele, realmente, é um bicho de cinema. Aquela cara que você coloca a câmera e tudo acontece. Ele tem uma força muito grande e pra mim foi lindo, porque o papel é de um pai mítico que paira sobre todo o filme. E o Cassel é uma presença muito forte.”
Selton ainda diz que o ator francês brincava com improvisações no set, e em uma dessas brincadeiras, rendeu a cena da moto em que Nicholas (Cassel) promete para Tony, ainda pequeno, que um dia ele vai herdar aquela moto.

Bia Arantes diz que foi difícil fazer transparecer toda a melancolia de Petra com poucas palavras, mas que amou a experiência. Ela comenta que é uma atriz nova de cinema e que hoje em dia ela faz uma novela para o público infantil, então é uma divergência muito grande no modo de atuar, e que a paciência e ajuda de Selton Mello como diretor foi crucial para ela alcançar o papel. Ela buscou deixar tudo no olhar, no sentimento e na delicadeza, por causa das poucas falas.



Selton Mello comenta que mudou todos os nomes dos personagens para o roteiro, pois buscava nomes mais fortes para o filme.
Tony Terranova. É o nome de um protagonista de um filme. Paco. Luna. Petra. Sofia. São nomes que entram na cabeça. Eu piro em nome de personagem. Um negócio que eu realmente tenho um prazer enorme. Batizar os filhotes.
Quando perguntado se o autor do livro, Antonio Skármeta, interferiu muito no roteiro adaptado, o diretor responde dizendo que ele lia todos os tratamentos e dava palpites, mas não tinha um apego enorme à obra a ponto de dizer para não mudar algo. Ele reforça que a poética literária é uma e a cinematográfica é outra, extremamente diferentes, então mudanças seriam inevitáveis e que ele precisava mexer.

Johnny Massaro ressalta como as gravações começaram rapidamente. O ator estava no fim de um projeto no Rio de Janeiro e logo no dia seguinte, precisou seguir para as Serras Gaúchas para no próximo dia já dar início às gravações do filme. Massaro diz que foi um processo “louco” e divertido. E reforça que a confiança que o elenco tinha no diretor refletiu muito no resultado excelente das atuações vistas em tela.



Selton Mello diz que o filme é gostoso de rever, sabendo os spoilers, pois o espectador vai enxergar certas cenas de outra forma e será capaz de entender as pistas sutis deixadas no roteiro.
Tem um negócio do Billy Wilder que eu adoro. Ele fala algo lindo sobre como fazer um filme: deixe o público somar dois mais dois, ele vai te amar. Então, uma coisa muito gostosa no cinema e que eu tenho viajado no filme, uma coisa que eu aprendi com O Palhaço, (...) eu não assisto o filme, mas sim o público. Um dos maiores prazeres que eu tenho é quando rola a grande revelação e eu vejo um casal no cinema se cutucando e dizendo ‘viu como era isso? eu sabia!’. Então isso é cinema. É tão gostoso você querer adivinhar e o outro ter surpresa. É muito saboroso.”
O diretor diz que a fotografia não foi algo racional, mas sim sensível. Teve uma casa nas Serras Gaúchas que chamou sua atenção, e foi baseando-se na cor das paredes dessa casa e nas sensações que ela causava, que o diretor de fotografia Walter Carvalho pensou nas cores que mais combinavam com o filme. Um tom mais ferrugem e de um dourado oxidado, que também tinha a ver com os trilhos do trem e as rodas dele, que se remetem às maquinarias do próprio projetor de cinema - uma história circular.

Ondina Clais se diz emocionada com o resultado do filme, pois ela como uma atriz de teatro, amou a experiência de realizar uma produção cinematográfica. Segundo ela, o teatro é como uma grande caixa preta, onde os atores fingem que tudo aquilo é real. E no processo de gravação de um filme, tudo realmente está ali e isso ajuda muito o ator para parecer mais natural. Clais diz como ficou impressionada ao ver as locações nas Serras Gaúchas, que eram incrivelmente lindas.



Quando lhe perguntaram sobre o final aberto do filme, o diretor diz que quis dar espaço à imaginação do público.
Eu quero um público ativo. Não quero um público passivo. Existe muito filme e muito da cinematografia americana que a gente consome e são filmes que já vem comidos, mastigados e digeridos. Você não tem nenhum espaço. (...) É importante pensar. Você vai pensar uma coisa, ela outra, ele outro e isso que é lindo.”
Selton Mello descreve O Filme de Minha Vida como um filme que pode despertar bons sentimentos nas pessoas. E que ele pode ser um bálsamo pro público, hoje, que ele merece um filme assim. O diretor diz que ele oferece seu longa-metragem como um presente, uma flor.

Após ler as carinhosas respostas da equipe, ficou curioso em saber mais sobre o novo filme de Selton Mello? Então não deixe de conferir essa pérola nos cinemas e ler nossa crítica!



Divulgaí

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