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Trama Alternativa: Teen Lust

Ainda que apelando a diversos clichês, Teen Lust apresenta uma proposta crítica bem interessante.

Ser considerado por um grupo “o escolhido” para o acontecimento de algo grandioso costuma ser uma grande honra. Porém o viés positivo dessa imensa responsabilidade pode ser contraposto quando se percebe que “o escolhido” deve ser sacrificado em prol dessa causa maior. Isso é o que vivencia o protagonista da comédia Teen Lust.

Filho de um casal que integra uma seita que cultua Satanás, o adolescente Neal (Jesse Carere) é considerado “o escolhido” pelo demônio para impedir a volta de Jesus Cristo e a instauração de 1.000 anos de paz. Nada afeito à religião/seita seguida pelos pais, o rapaz frequenta as reuniões por imposição familiar, tendo também que manter um voto de castidade para preservar a sua pureza até que complete 18 anos de idade, quando será feito um ritual que o entregará ao Príncipe das Trevas para a realização dos propósitos satânicos.

Nerd e obediente aos pais, Neal permanece virgem até o dia do seu 18° aniversário, apesar das tentativas de seu amigo Matt (Deryl Sabara) de aproximá-lo de garotas. Quando chega o momento do satânico ritual, deitado sobre um altar e em meio a “orações” e invocações dirigidas a Lúcifer, o rapaz se mantém alheio ao que o aguarda. Entretanto, Matt percebe a semelhança da atual cerimônia com o sacrifício de cordeiros que já havia presenciado, alertando o amigo a tempo de ambos fugirem.

Ciente de que sua pureza – representada pelo fato de ainda ser virgem – é o fator-chave que habilita o seu sacrifício a Belzebu, o adolescente, juntamente com o amigo, chega à conclusão de que o sexo é a sua salvação. Enquanto são perseguidos pelos adoradores do diabo, os dois garotos precisam dar um jeito de Neal transar o quanto antes. Transar se torna mais do que um desejo e, sim, uma questão de vida ou morte (literalmente).

Dirigido por Blaine Thurier, o longa encena uma ácida crítica ao fanatismo religioso por meio da representação hiperbólica de uma seita satânica. Além disso, outros pontos do filme carregam o tom crítico quanto à cegueira causada pela religiosidade levada ao extremo. O sexo também é problematizado, mas de forma irônica e paradoxal: o celibato, tão prezado por uns – e, inclusive, requerido por determinados grupos –, tão banalizado por muitos, pode ser tanto motivo de honra quanto o pesadelo e a ruína de determinados adolescentes/jovens (pois, ao mesmo tempo em que a virgindade pode ser encarada como símbolo de resguardo pessoal para uma relação compromissada, pode ser vista como motivo de vergonha, que não deixa de ser uma espécie de morte); por outro lado, ceder aos desejos libidinosos pode ser mais do que somente uma propulsão da promiscuidade, mas corresponder a uma necessidade latente, um ato salvador do ser humano (inclusive, é graças ao sexo que ocorre a reprodução, modo através do qual a vida se prolonga e se renova).

Ainda que apelando a diversos clichês, Teen Lust apresenta uma proposta crítica bem interessante. Com situações inusitadas e engraçadas, consegue entreter bem o espectador durante os seus 80 minutos, além de ser efetivo na sua proposição.

Divulgaí

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