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Crítica: Mulher-Maravilha

Crítica: Mulher-Maravilha

O miado envergonhante de Halle Berry, a trama complicada sem sentido e nada fiel de Elektra e até mesmo o grande sonho da Arlequina e seus shorts curtos demais. Essas e várias outras características se tornaram inesquecíveis - não por um bom motivo - para o imaginário popular de adaptações de quadrinhos com personagens femininas no centro da história. Ironicamente, para poderem colocar essas memórias ruins nas sombras, foi necessário um toque feminino e não havia heroína melhor para essa tarefa do que a Mulher Maravilha.

Não apenas essa mulher com palavras afiadas e uma espada ainda mais, mas também Patty Jenkins (Monster). A execução final desse filme se trata de anos em que a diretora lutou para que o estúdio pensasse em uma adaptação da heroína. E o que ela entrega é uma produção concisa, com muita ação e efeitos em câmera lenta, deixando claro que não é necessário homem, capa ou calças masculinas para se fazer um bom filme de herói. É como diz Gal Gadot em certa altura do filme: “Esse livro parte do princípio que homens são feitos para reprodução, mas quando chega no quesito prazer...”.

Mas mesmo nascida entre mulheres e nunca tendo visto o rosto de um homem, Diana serve muito mais do que apenas a prova de que filmes com heroínas como personagens principais podem ser bons. Muito disso se deve a escalação de Gal que personifica a inocência de Diana no novo mundo, mas também a dureza de uma mulher nascida e criada entre espadas.

Em outras palavras, ela é uma princesa da Disney com a espada escondida na bota. No fim de toda a trama ela consegue dar uma lição de moral com uma daquelas frases clichês sobre amor, mas sem deixar o momento bobo ou tornar todas as lutas e mortes inválidas. Isso é muito inspirado nos quadrinhos, principalmente devido a construção diplomática que ela teve nos últimos anos. Nisso, Diana mostra que veio à Terra para proteger a humanidade e no meio desse caminho, que não distingue gênero, cor ou etnia. E isso significa dar uma “razão” para o genocídio da Primeira Guerra Mundial.

Estranho ou não, esse é um dos pontos altos do filme. Mesmo que Ares permaneça nas sombras em todo o desenrolar, ele é o tipo de vilão que não está ali apenas por que é necessário. Ele possui um real motivo para ser inserido naquele mundo. Não servindo apenas como um gatilho para a amazona entrar no mundo dos homens, mas também construindo toda a trama ao redor de cada um dos personagens, seja com eles sabendo disso ou não. Mas isso não é para todos, a Drª. Poison (Elena Anaya), por exemplo, é o tipo de personagem que poderia ser ignorado ou que poderia ter sido interpretada por uma atriz de menos conhecida.

Salvo algumas ressalvas, todos os personagens são importantes. Desde o companheiro de luta de Steve Trevor (Chris Pine) até ele próprio. Falando nisso, o envolvimento amoroso do soldado e da amazona não evolui para algo físico - até mesmo devido a personalidade da personagem, mas se consegue sentir uma boa química entre os dois, algo que lembra muito a história de Steve Rogers com a Agente Carter em Capitão América: O Primeiro Vingador. Essa característica e a história ter como plano de fundo uma guerra não são as únicas semelhanças. Assim como a produção da Marvel, Mulher Maravilha é um bom filme de origem, mas em contra partida tem algo a mais que pode ser caracterizado por esse "toque feminino".

Só que sempre existem aqueles escorregões que não dá para fugir. A batalha final que traz toda a atmosfera de filme de herói é uma das cenas mais empolgantes para os fãs, mas ao mesmo tempo, o filme conseguiria se manter bem se ela não existisse. Pois, além de resumir tudo em socos e chutes, não agrega muito à história, além da resolução de um vilão que poderia ficar melhor se continuasse nas sombras. Mas outra vez, é necessário por ser um filme de gênero e isso não faz o resto do longa ruim. Nem isso ou as diversas cenas com efeitos especiais que pareciam não ter sido bem finalizadas.

No ritmo de comédia, conflito e drama que o público percorre a origem da Mulher Maravilha, ou melhor, da super heroína que lutou entre os soldados britânicos da Segunda Guerra, mas que ainda não recebeu seu nome de batalha. É difícil dizer se ele marcará o cinema dos heróis pela sua qualidade ou pelo peso que possui em relação a representação feminina, mas a verdade é que deixando tudo isso de lado, não havia forma mais bem sucedida para se contar essa história.

Divulgaí

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