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Na Netflix: Já Não Me Sinto em Casa Nesse Mundo

Apesar de não ser um filmaço, Já Não Me Sinto em Casa Nesse Mundo é uma trama divertida que apresenta uma proposta leve para uma temática que poderia se fechar num intimismo denso ou se expandir por meio de uma explosão
Na Netflix: Já Não Me Sinto em Casa Nesse Mundo

É normal se sentir deslocado ou mesmo inconformado com a realidade e o mundo ao redor em determinadas ocasiões. A rotina, os problemas, o estresse, as pessoas pouco (ou nada) agradáveis que atravessam o nosso caminho colaboram para fomentar essa sensação de desconforto e necessidade de mudança. Já Não Me Sinto em Casa Nesse Mundo, uma das novas produções originais Netflix (lançada no mês de fevereiro), expõe como a sobrecarga imposta pelas constantes frustrações e insatisfações diárias pode levar alguém a buscar mudanças a qualquer custo.

Ruth Kimke (Melanie Lynskey) é enfermeira numa clínica de pós-operatório. Ela leva uma vida pacata: plantões, barzinho, casa da amiga, supermercado, cervejinha em casa, leitura de algum livro... Entretanto, essa calmaria é constantemente afetada por pessoas e situações bastante desagradáveis, que culminam na invasão de sua casa e no roubo de objetos pessoais e de valor sentimental (no caso, seu notebook e a prataria que foi de sua avó). Decidida a recuperar seus pertences, após perceber a negligência da polícia para com o seu caso, ela decide agir por conta própria. O que ela não sabia é que estaria se metendo com pessoas poderosas e perigosas.

O início do filme mostra o quanto de estresse Ruth vivencia no seu dia a dia. E o pior: sem reagir. Ela convive e cruza com os mais variados tipos de pessoas escrotas: pacientes desestabilizados emocional e psicologicamente; indivíduos abusados que, por exemplo, derrubam produtos nas prateleiras do supermercado e não se dão ao trabalho de pôr de volta no lugar ou que furam fila, fazendo-a de otária; um cara sem noção que lhe dá spoiler do livro que ela está lendo; um cachorro que sempre faz cocô em seu jardim por negligência e desatenção do seu dono. A quantidade de sacanagens que Ruth suporta causa um efeito paradoxal no espectador: por um lado, uma incompreensão e uma certa revolta devido à sua passividade diante desses acontecimentos; por outro lado, uma leve comicidade por conta da sequência de situações ingratas e extremamente cotidianas que a perseguem (tão cotidianas que podemos nos enxergar no lugar de Ruth passando por elas, caso já não tenhamos passado).

Quando sua casa é invadida e seu notebook e a prataria que pertenceu à sua avó são roubados, o copo de tolerância da protagonista fica prestes a transbordar. A gota d’água responsável por isso é a negligência da polícia, que deixa claro que não irá despender esforços para solucionar o seu caso, tendo em vista que há coisas mais importantes com as quais se preocupar. Então, toda a indignação vem à tona. Ciente do quanto tem sido vitimizada diariamente pelas agruras cotidianas, após um tempo de tristeza ao enxergar os constantes incômodos que ela tentava ignorar, Ruth decide não mais suportar o peso das cretinices alheias.

Tirando satisfação e agindo em prol dos seus direitos, que vinham sendo desprezados pelos indivíduos egoístas que cruzam seu caminho, a enfermeira se torna uma espécie de justiceira (mas não num nível hard, como o adjetivo costuma sugerir). Graças a esse seu novo comportamento, conquista o apoio de Tony (Elijah Wood), um dos seus vizinhos, que, inclusive, é o dono do cachorro que costumava fazer cocô em seu jardim.

Com uma postura firme, apesar da natural pacatez, ela acaba envolvendo a si mesma e ao vizinho em algo maior do que podia prever ao mexer com criminosos perigosos e inescrupulosos. Porém, movida por um forte senso de justiça, na verdade, a busca de Ruth é, acima de tudo, por respeito (ser respeitada como indivíduo e ter os seus direitos igualmente respeitados). Isso se evidencia no momento em que, ao ser questionada com a pergunta “O que você quer?”, ela responde: “Que as pessoas não sejam tão cuzonas”.

Apesar de não ser um filmaço, Já Não Me Sinto em Casa Nesse Mundo é uma trama divertida que apresenta uma proposta leve para uma temática que poderia se fechar num intimismo denso ou se expandir por meio de uma explosão, numa espécie de “Um Dia de Fúria”. Com apenas 96 minutos, o longa dirigido por Macon Blair surge como uma opção interessante para passar tempo de forma despretensiosa.

Divulgaí

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