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Crítica: Cinquenta Tons Mais Escuros

E a trama parece dar voltas e mais voltas para terminar exatamente no mesmo lugar: Ana se tornando uma espécie de barreira instável entre Christian Grey e seu lado sádico. Algo extremamente repetitivo que já ficou batido desde o filme anterior.
Crítica: Cinquenta Tons Mais Escuros

Mesmo com toda sua polêmica, ou justamente por causa dela, Cinquenta Tons de Cinza é um filme que atraiu muitas pessoas e que conseguiu arrecadar o suficiente nas bilheterias para encomendar mais duas continuações cinematográficas da saga literária erótica que se tornou um best seller com mais de 150 milhões de livros vendidos em todo o mundo. Sua continuação baseada no segundo livro da série escrito pela escritora E.L. James, Cinquenta Tons Mais Escuros, não é surpresa em nenhum sentido. Mudando as mãos por trás das câmeras, mas mantendo a mesmice na frente delas, seu roteiro continua com os mesmos defeitos, apesar de tentar superá-los com uma carga maior de drama e suspense.

Anastasia Steele, ou simplesmente Ana, se assusta com o que o bilionário Christian Grey é capaz de fazer e termina de vez seu relacionamento conturbado no ato final de Cinquenta Tons de Cinza. Agora, determinada a focar em seu novo trabalho como editora de livro em Seattle, tenta esquecer tudo o que passou. No entanto, quando Christian reaparece e propõe renegociar (reatar, na língua normal) o relacionamento, Ana não resiste. Em um cansativo ciclo entre Christian Grey, Anastasia e o lado “obscuro” do bilionário, os personagens parecem confusos e mal construídos, sem saber ao certo qual caminho irão percorrer. Em diversos momentos de hipocrisia, Ana aparenta ser a personagem mais perdida da história. E a trama parece dar voltas e mais voltas para terminar exatamente no mesmo lugar: Ana se tornando uma espécie de barreira instável entre Christian Grey e seu lado sádico. Algo extremamente repetitivo e que já ficou batido desde o filme anterior.

O roteiro parece que quer dar continuidade à base da história montada pelo seu precursor, ao retratar (mesmo que brevemente) uma parte da infância de Grey que ainda não conhecemos e o novo tipo de relacionamento do casal. No entanto, parece sempre voltar um passo atrás nas cenas mais sensuais, que contradizem o rumo da trama. Parecendo não se importar com tal contradição, pois está entregando aquilo que os espectadores mais esperam ver nas telonas ao ouvir o título, Cinquenta Tons Mais Escuros. Há uma incômoda má construção entre as estruturas dos três atos do filme, com pequenos arcos de suspense que carecem de explicações e coerência - como o de Leila Williams, uma ex-submissa de Grey, e o de Jack Hyde, o chefe de Anastasia.

Além de alguns clímax com desfechos altamente previsíveis (ao colocar os personagens em “perigo”) e cenas sem nexo - como a de Grey saindo do elevador após seu acidente. Os diálogos vazios e desinteressantes do primeiro filme parecem ter ficado mais tempo para o segundo, se tornando constantes na maior parte do longa. Com uma romantização novamente forçada (mas não tanto quanto o primeiro), o novo filme do diretor James Foley se vende principalmente por sua característica erótica, mas não alcança o efeito que deseja em momento algum - assim como seu fraco antecessor, Cinquenta Tons de Cinza. A trilha sonora, colocada de modo indevido na maioria das cenas do filme, não cumprem o papel que deveriam. Apenas tornando-se "burburinhos" ao fundo, atrás dos diálogos, sem nem mesmo ter qualquer ligação com a cena. E se tornando apenas mais uma característica para adicionar nas cenas mais quentes.

Há algumas diferenças em relação às atuações do casal protagonista nesse novo filme. A atuação de Dakota Johnson (A Piscina e Aliança do Crime) como Anastasia parece melhorar do primeiro filme para o segundo, no entanto, em cenas esporádicas o mesmo olhar vago e feições pouco convincentes reaparecem. A atriz parece claramente mais à vontade em seu controverso papel, mas segue com uma atuação que necessita de uma melhora para convencer totalmente. Jamie Dornan (Maria Antonieta e The Fall) como Christian Grey continua com uma atuação limitada, cujos momentos em que é requerida uma carga dramática maior do ator, se tornam seus piores momentos em cena. O casal não impressiona por suas atuações, mas há uma melhora na entrosação entre eles.

A maior parte do elenco de apoio continua o mesmo, mas também há novidades. Agora conta com novos nomes como Bella Heathcote (Orgulho e Preconceito e Zumbis e Demônio de Neon) como a transtornada Leila, Eric Johnson (The Knick) como Jack Hyde e Kim Basinger (Los Angeles - Cidade Proibida e Dois Caras Legais) como Elena Lincoln, a mulher que introduziu Christian Grey ao mundo do Quarto Vermelho. Sem grandes atuações, os atores têm poucas aparições no filme, que parece mais focado na grande série de repetições entre o casal principal.

No meio de diversos defeitos, há sim qualidades. Particularmente, nas técnicas. A direção de James Foley (Wayward Pines) se mostra estável e segue o mesmo aspecto da diretora Sam Taylor-Johnson (O Garoto de Liverpool) do primeiro filme. Não há grande destaque ou enquadramentos bem pensados, mas segue como uma direção satisfatória. A fotografia de John Schwartzman (Armagedom e Jurassic World) também é bem executada, apesar de ser inferior à do primeiro filme, onde as luzes e a escuridão foram trabalhadas de uma forma melhor. A cinematografia segue o ordinário, sem movimentos de câmera interessantes, mas longe de ser ruim. E a edição e montagem continuam sem impressionar, sendo um pouco exageradas ao acelerar os cortes de algumas cenas. Os figurinos cultivam um aspecto levemente falso, como se fossem intocáveis. Adicionando à história uma perspectiva adicional de falsidade, que já era impulsionada para esse caminho pelos fracos diálogos.

Cinquenta Tons Mais Escuros resulta em apenas um filme que busca seu espaço - e dinheiro - em cima da sexualidade, com uma trama cujo conteúdo é escasso. E que atrai a maioria de seus espectadores por simples curiosidade, mas nem mesmo merecendo tal. Com um filme que é apenas um pouco superior ao seu antecessor, seguindo a mesma qualidade baixa (salvando-se em alguns aspectos técnicos) e com um final incompleto para impelir o espectador à próxima sequência, a saga literária de E.L. James segue firme para o seu fim com Cinquenta Tons de Liberdade. Um filme que, dado à minúscula cena pós-crédito, não deve ser mais do que já vimos até aqui.


Divulgaí

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