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Crítica: Armas na Mesa

Tratando de um tema que assombra os Estados Unidos, a posse de armas, ele trabalha bem com o drama da personagem e o círculo de envolvidos, levanta argumentos para os dois lados e ainda ensina a prática do lobby e as suas consequências no tribunal.
Crítica: Armas na Mesa

— É sobre ter certeza que vai surpreender seu oponente. E não deixá-los que surpreenda você.  — diz Jessica Chastain enquanto introduz o filme e a temática. Lobismo, um tema polêmico e até mesmo chato para quem não vive no mundo dos “consultores” e “bancários”, mas que se torna interessante aos olhos de qualquer um nos primeiros cinco minutos.

O que o espectador não espera é que as duas frases ditas no início do filme pela personagem Elizabeth Sloane (Chastain) possam resumir todo o longa. Ele é surpreendente e em momento nenhum deixa o público saber que será surpreendido. As duas horas passam rápido e a história parece clara como água, até que se percebe que nada era o que parecia ser.

E talvez isso seja por causa de Jessica que consegue trazer todo o foco para a sua atuação, ou talvez por causa de todos os termos complicados que surgem durante a trama. O mais provável é que seja tudo devido a genialidade do roteiro de Jonathan Perera, já que a personagem de Chastain sempre transforma os diálogos complicados de lobistas em metáforas de “bolos” e “biscoitos”.

Com características como essa, Armas na Mesa, não é um filme fácil de se assimilar, mas também não é difícil. Tratando de um tema que assombra os Estados Unidos, a posse de armas, ele trabalha bem com o drama da personagem e o círculo de envolvidos, levanta argumentos para os dois lados e ainda ensina a prática do lobismo e as suas consequências no tribunal.

Tudo isso com uma montagem que alterna entre passado e presente, atiçando o público com a curiosidade de como Sloane chegou onde está e o que será da sua vida dali para frente. E a direção de John Madden, que dá espaço para os momentos de silêncio e planejamento dos personagens, contribui para a criação dessa dramaticidade que se constrói sempre com a imprevisibilidade do próximo passo da personagem.

É como um jogo de Xadrex, a qualquer momento o rei pode ser encurralado, mas ninguém perceberá o motivo até que a jogada tenha sido feito. Não é exagero dizer que esse foi um dos melhores papéis dados a Chastain e que é uma pena que a Academia não possa ter visto da mesma forma.

Com sua calma gélida e estresse calculado, Jessica cativa o público mesmo quando faz o papel de vilã na trama. Torna-se até difícil pensar no resto do elenco ao analisar toda a presença da atriz no filme. Mas, ao mesmo tempo, é difícil não esquecer a participação de Gugu Mbatha-Raw e também de Alison Pill. Duas opostas da mesma moeda que Sloane coloca na mesa.

E talvez isso seja a única “coisa” posta na mesa, já que em momento nenhum vemos as “armas” do título, apenas figurativamente. Se engana quem pensa que Miss Sloane, ou melhor, Armas na Mesa, é apenas mais um filme político e panfletário para fazer volume. Na verdade, é um drama profundo sobre uma “workaholic” com depressão e insônia, que por um acaso, é lobista. Por causa de todas essas camadas que essa produção se torna imperdível.


Divulgaí

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