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Crítica: Animais Noturnos

Crítica: Animais Noturnos

Segundo filme do diretor e estilista Tom Ford, lançado 7 anos depois do sucesso de sua estreia com, “Direito de Amar”, (2009). Protagonizado por Amy Adams e Jake Gyllenhaal, conta ainda com vários nomes celebres no elenco, como: Aaron Johnson (vencedor do Globo de Ouro pelo papel), Laura Linney, Michael Sheen, Michael Shannon, Armie Hammer, entre outros.

O filme conta a história de Susan (Amy Adams), uma galerista de sucesso em um relacionamento com problemas, que um dia recebe um manuscrito de um romance escrito pelo seu ex-marido Edward (Jake Gyllenhaal), e ao lê-lo reflete sobre suas escolhas, um doloroso passado, e as causas de suas tristezas no presente.

A metalinguagem do filme pode confundir um pouco, por se tratar de uma história dentro da história. De início é de se acreditar que a história do livro tenha acontecido de verdade, já que para confundir, o diretor escala Jake para interpretar o ex-marido, e o personagem do livro. O enredo, sobre vingança e justiça se entrelaça com a crise existencial conjugal de Susan e suas memorias do relacionamento anterior, deixando várias coisas bem claras, mas que podem ser mal interpretadas.

O livro de Edward representa o fim de vários sentimentos, (Só compreendemos isso na última cena). A fragilidade, personalidade e falta de posicionamento, ou de coragem de Edward e transmitida para a história literária. Ele escreve de certa forma um livro autobiográfico, onde tenta explicar quem ele é, e o que o impedia de mudar.

Me lembro de ler Galveston do americano Nick Pizzolatto, em um momento de desabafo um dos personagens diz, “Não entendo porque me dizem pra esquecer as coisa, deixar pra lá. As coisas nunca abandonam a gente”. O filme talvez tente mostrar um pouco do universo emocional do ser humano ao lidar com o passado. Daqueles que não esquecem, e daqueles que decidem seguir em frente, e resilientes, nunca voltam atrás.
A fotografia do filme se divide: Nas cenas de dramatização do livro, como boa parte da história se passa em um deserto, os filtros são mais amarelados, com forte ênfase na luz do sol, e leves iluminações estouradas dependendo da cena. Já em outros momentos, seja do período de romance entre Susan e Edward, ou apenas de Susan no presente, a cartela de cores recebe mais tons pasteis, sempre com alguma coisa em um tom de vermelho bem forte para causar um contraste, a iluminação é sempre continua para não causar sombras ou marcações no rosto que muitas vezes envelhecem os atores.

Também podemos notar diferenças entre a Susan estudante de arte, e a Susan galerista, muito mais imponderada com um penteado forte, e um estilo de se vestir bem mais caro que o posterior, tudo para demonstrar o quanto Susan dá valor a um estilo de vida mais luxuoso e fútil.

O filme, é, independente do gosto crítico do espectador, muito bem executado. Distante do mainstream, seu tempo passa de forma diferente, e tem como objetivo deixar claro uma filosofia de vida que tempos depois ao conferir uma entrevista de Tom Ford sobre o filme, descobri ser a sua própria. “Nunca deixe as pessoas irem embora, nunca permita que saiam de sua vida”.

Se manter as pessoas sempre próximas funciona ou não, não se sabe, o que podemos dizer, é que Susan se arrepende muito das decisões do passado, e não enxerga mais soluções para a sua vida. Esses períodos reflexivos existenciais, chegam para todos, seja por intermédio da idade, termino, luto ou solidão, sair desses momentos revigorado, talvez até uma nova pessoa, é o complicado. Edward sai do fundo do poço com seu primeiro livro, o que vai acontecer com Susan é um mistério.

Sempre bom lembrar de Carry Fisher nesses momentos, “Take your broken heart and make it into art…”

Divulgaí

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