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Reflexões de um Cinéfilo - A representatividade de minorias no universo cinematográfico aumentou, mas é suficiente?

A resposta é, obviamente, não. A representatividade de grupos minoritários nunca esteve tão crescente em meios de cultura, o que é extremamente necessário, pois garante que mais pessoas tenham acesso à informação e conhecimento sobre tais questões, o que, de certa forma, contribui com a constante tentativa de erradicar qualquer tipo de diferença e/ou preconceito.

A resposta é, obviamente, não. A representatividade de grupos minoritários nunca esteve tão crescente em meios de cultura, o que é extremamente necessário, pois garante que mais pessoas tenham acesso à informação e conhecimento sobre tais questões, o que, de certa forma, contribui com a constante tentativa de erradicar qualquer tipo de diferença e/ou preconceito. Mas nunca será suficiente - no sentido literal da palavra nunca, por motivos de que a extinção destas desigualdades só será historicamente possível quando aliada à educação e desconstrução de toda uma cultura já, infelizmente, estabelecida.

Porém, todas as obras com esse objetivo devem ser, sem dúvidas, enaltecidas, como é o caso do filme brasileiro “Colegas”, de Marcelo Galvão, que retrata as aventuras de um trio de amigos portadores de Síndrome de Down, que fogem do Instituto onde vivem em busca da realização de seus sonhos. Assim como o drama argentino “Anita”, de Marcos Carnevale, que mostra a emocionante história da personagem principal, também com Síndrome de Down, que, após a morte de sua mãe, é obrigada a encarar um mundo novo, cheio de descobertas, autoconhecimento e grandes amizades.

Que ambos os filmes sirvam, inclusive, de indicação, já que não são enredos tão populares, mas ainda sim incríveis, cheios de emoção e sensibilidade, como aquele “tapa de luva” para a realidade de muitas pessoas, sendo, apesar de gêneros e propostas diferentes, grandes (e bonitos) passos para um maior conhecimento e inclusão deste grupo.

Outro assunto que foi pauta recentemente de inúmeros protestos para boicotar a cerimônia do Oscar 2016 foi a falta de indicação de atores negros ao prêmio, que abriu a discussão sobre a pequena representatividade em grandes produções de cinema. A atriz de “How To Get Away With Murder”, Viola Davis, primeira mulher negra a vencer o prêmio Emmy na categoria “Melhor Atriz” (muito mais que merecido), durante um prêmio da revista Elle, chegou a dizer que falta oportunidade para pessoas negras no cinema e que por estarmos em 2016 era necessária uma real mudança desta realidade.

Um desdobramento mais recente da questão foi quando após a estreia do último filme do cineasta Tim Burton, “O Lar das Crianças Peculiares”, percebeu-se a falta de representatividade no elenco, que por ser baseado no livro de Ransom Riggs, deveria conter maior diversidade na escolha dos atores, assim como narra o enredo da história do escritor.



É fato que as oportunidades para negros são reduzidas à papéis coadjuvantes (salvo algumas raras exceções), uma realidade que, à passos curtos, vem tentando ser alterada, um exemplo é a recente produção da Marvel: “Pantera Negra”, em que, pela primeira vez nas produções heroicas do estúdio contará com um elenco 90% composto por negros ou afro-americanos, segundo o produtor Kevin Feige.

Não devemos esquecer, também, de alguns filmes que já contam no papel de acrescentar diversidade racial no cinema, como a “Cor Púrpura”, em que Whoopi Goldberg interpreta emocionantemente a personagem principal, que luta bravamente contra a imposição de inferioridade racial e sexual presente na época, e o mais recente “Preciosa – Uma História de Esperança”, que é uma verdadeira lição e reflexão sobre diferenças de oportunidades por questões raciais e econômicas, além de discutir assuntos como relações interfamiliares e auto aceitação, ambos para aplaudir de pé.



Finalmente, mas não menos importante, a bandeira do feminismo tem se tornado cada vez mais poderosa, as mulheres lutam por mais espaço e representatividade em um universo tipicamente dominado por homens, e, apesar de lenta, a mudança já consegue ser percebida, afinal, quando já teria se imaginado um remake do grande clássico “Ghostbusters”, com elenco principal composto predominantemente por mulheres? Leslie Jones, Kristen Wiig, Melissa McCarthy e Kate McKinnon mostraram todo o “girl power” na nova versão, que apesar de receber algumas severas críticas negativas da mídia especializada, teve um grande apoio dos fãs, que acreditam que parte do “fracasso” do filme tenha sido justamente pelo fato de não ser tão comum mulheres em posição de heroínas.

Vale ressaltar, também, que uma das mais novas conquistas femininas neste sentido é a produção de “Mulher Maravilha” (aleluia!), uma das heroínas mais famosas do Universo DC, que se manteve inerte durante anos para produção cinematográfica, por não ser tão lucrável quanto filmes de heróis masculinos (Batman, Superman, e afins), e que, atualmente, passou a ser um atrativo diante do aumento da busca por igualdade de gêneros. Além de ser um grande avanço, é uma sorte para a galera geek, que ainda torce por filmes bem produzidos da Mulher Gato, Miss Marvel, Supergirl, Mulher-Gavião...



Mas mesmo com toda essa nova força, ainda é necessária muita luta para que mulheres e homens consigam disputar o mesmo espaço dentro do cinema mundial igualmente, sem que a participação feminina se restrinja à papéis de relevância duvidosa, como o da mocinha indefesa ou da garota sexy da porta ao lado, até porque “who run the world? Girls!”

Por fim, vale reafirmar que o esforço para aumentar a representatividade de minorias dentro de um produto cultural deve ser sempre comemorado por se tratar de um grande avanço social e que sirva de incentivo no intuito de fortalecer a luta destes grupos para que, quem sabe um dia, seja irrelevante o termo “grupos minoritários da sociedade”.


Divulgaí

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