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Crítica: Voando Alto

De modo geral, "Voando Alto" é um filme que vale a pena. O ritmo não é cansativo, o tom do filme é divertido, rendendo algumas boas risadas, o elenco segura bem as expectativas, especialmente a boa química entre Egerton e Jackman
Crítica: Voando Alto

Michael "Eddie" Edwards, conhecido como "The Eagle" (a águia) foi um competidor britânico que desde criança teve o sonho de disputar uma Olimpíada. Com o tempo ele começou a perceber que o sonho talvez pudesse estar muito distante, portanto direcionou seus esforços às Olimpíadas de Inverno, na qual suas chances seriam muito maiores. Durante o processo, Eddie trocou de esporte, garantindo seu passaporte para os Jogos de Calgary 88', sendo o primeiro representante da Grã-Bretanha a participar do ski jumping, esporte onde o competidor desce uma rampa de neve utilizando o esqui para alcançar a maior distância do salto possível, pois não tinha adversários conterrâneos na categoria. Apesar de ter terminado em último lugar nas provas que disputou, o carisma de Eddie o levou a ser adorado pelo público e teve grande destaque na mídia, como exemplo de espírito esportivo.

Sendo assim, "Voando Alto" parte da mesma premissa ao contar a história de como Eddie chegou a disputar os jogos. Dos mesmos produtores britânicos do sucesso do ano passado "Kingsman: Serviço Secreto", o longa dirigido pelo ex-ator Dexter Fletcher prefere traçar mais o caminho da comédia e da descontração do que necessariamente emocionar, como outros filmes do gênero de drama esportivo fizeram, tal qual "Menina de Ouro (2004)" ou "Rudy (1993)", por exemplo. Para que a produção ficasse mais atraente para o público, além das famosas hipérboles que geralmente são cometidas, "Voando Alto" foi um pouco além e adicionou um personagem fictício, o treinador Bronson Peary, ex-astro do esporte que vivia afastado das competições, mas ainda trabalhando no tratamento das pistas.

O drama esportivo é um dos subgêneros mais emocionantes do cinema com suas histórias de superação e motivacionais. "Voando Alto" mostra a importância de jamais desistir de um sonho e fazer acontecer, correr atrás dos seus objetivos. Quem assume o papel do treinador Bronson no filme é o astro Hugh Jackman, em um trabalho semelhante ao que fez em "Gigantes de Aço (2011)". Já a estrela é Taron Egerton, que impressionou em Kingsman no ano passado e mostra mais uma vez uma grande desenvoltura como protagonista. No início, sua atuação causa certa estranheza por parecer que ele está forçando um tipo de careta, mas logo o espectador se acostuma ao decorrer do filme, principalmente quando a imagem do verdadeiro Eddie aparece no final, deixando claro que a semelhança entre os dois é muito grande. Através do carisma do seu personagem, Eddie "The Eagle" consegue ser alguém inspirador mesmo sendo um perdedor, algo muito difícil de acontecer porque normalmente as pessoas se identificam com vencedores. Há um diálogo já perto do final do filme com o campeão Matti Nykanen (Edvin Endre) que resume bem esse sentimento. Eddie não se arrisca daquela forma por medalhas ou glória, mas por ser um objetivo que ele sempre teve, de lutar contra as adversidades e seguir seu sonho.

O filme tem algumas ressalvas, especialmente pela sua estrutura e narrativa formulaicas. O roteiro é muito simples para ser uma história de superação, ou seja, o drama de Eddie não é tão aprofundado, e olha que oportunidades não faltam. Por exemplo, quando Eddie viaja sozinho e sem dinheiro, naturalmente ele ia precisar comer, dormir, tomar banho, etc. Ao invés de mostrar uma certa dificuldade - que seria uma opção bem mais realista, diga-se de passagem - Eddie conhece de cara Janette (Jo Hartley), dona de uma espécie de restaurante/pousada. Sendo assim, de forma muito fácil ele consegue um emprego e um abrigo. Ou em outro momento, quando é mencionado que Eddie tem um problema nos joelhos, mas esse acaba sendo um recurso totalmente desperdiçado no decorrer do filme.

A trilha sonora de Matthew Margeson é sensacional, com vários temas que remetem aos antigos vhs de documentários olímpicos, algo que quem for fã de esportes vai achar espetacular. Toda a trilha funciona, tanto contextualizando a época do final dos anos 80 como ambientando o espírito olímpico do filme. Os efeitos visuais em vários momentos deixam claro o modesto orçamento da produção com algumas cenas bem artificiais - principalmente nas acrobacias de Eddie - com exceção da sequência do salto final onde a pós-produção foi bem caprichada e auxiliada pela excelente movimentação de câmera do diretor, que utiliza um 360º bem interessante e é disparado o melhor momento do filme, emocional e tecnicamente. Apesar da história ser quase que 80 a 90 por cento centrada na figura de Eddie ou do treinador Bronson, o elenco de apoio está bem, sem comprometer e contribuindo para o tom descontraído do filme.

De modo geral, "Voando Alto" é um filme que vale a pena. O ritmo não é cansativo, seu clima é divertido e rende algumas boas risadas, o elenco segura bem as expectativas, especialmente a boa química entre Egerton e Jackman. Apesar de situações um tanto clichês no decorrer do filme, o protagonista é carismático e o esporte é diferente, o que não deixa tanto aquela sensação de repetição no espectador. Uma espécie de "Jamaica Abaixo de Zero" moderno, que conta uma história real sobre um azarão que mesmo não sendo o melhor competidor, foi destemido e valente dando o seu melhor por aquilo que acreditava. Quando os créditos finais sobem, é difícil não estar com um sorriso no rosto ou até mesmo algumas lágrimas nos olhos.
Divulgaí

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