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Crítica: Horas Decisivas

Crítica: Horas Decisivas

Em 1952, Bernie Webber e mais três colegas da Guarda Costeira foram enviados a uma missão suicida para resgatar os sobreviventes de um barco partido ao meio com uma tempestade prestes a acontecer. A missão pode ser considerada suicida porque o pequeno barco em que eles partiram tinha capacidade para apenas 12 pessoas, sendo que havia 33 tripulantes para serem resgatados e é considerada até hoje a maior da história da Guarda Costeira norte-americana. Claro que uma incrível história como esta logo seria retratada no cinema, e os estúdios Disney não perderam tempo para escolher o diretor Craig Gillespie para ficar a frente do projeto, lembrando que o mesmo já havia dirigido recentemente o filme "Arremesso de Ouro" para o estúdio, atingindo um relativo sucesso de bilheteria.

"Horas Decisivas" é um filme sobre heroísmo e coragem, que conta com grande elenco. Bernie Webber é interpretado pelo versátil Chris Pine, e sua equipe é formada por Richard Livesey (Ben Foster), Andy Fitzgerald (Kyle Gallner) e Ervin Maske (John Magaro). Completam o elenco nomes renomados como Casey Affleck, Eric Bana e a jovem Holliday Granger. Para encorpar mais a emoção à trama, foi adicionado um romance entre Webber e a personagem de Granger, Miriam. O romance, aliás, não é apenas mencionado, mas divide toda a estrutura do filme em dois temas - amor e coragem -, sendo bastante trabalhado ao longo da projeção.

Talvez este seja o principal problema do filme, pois esta mistura de gêneros nem sempre funciona e foge da história principal que é o resgate, diminuindo assim o impacto e a relevância do heroísmo dos personagens. Eles poderiam muito bem ter deixado subentendido que todos os tripulantes tinham família, filhos, esposas, enfim, algo a perder ao encarar essa missão suicida no mar, mas faltou aí sutileza ao diretor - pois os planos escolhidos para filmar as cenas do casal são muito "cafonas", como closes excessivamente longos e, talvez pela época, ele mostra o amor de forma muito ingênua e até infantil - e aos roteiristas, com diálogos que soam como frases prontas, embora essas escolhas possam ter sido uma determinação do estúdio.

O filme efetivamente funciona quando foca na missão. Por mais que os personagens pareçam um tanto estereotipados, como o capitão recém-chegado que não tem comando sobre a equipe, ou um personagem que a tripulação não respeita, mas que nas "horas decisivas" do filme vai se tornar o líder, que são elementos importantes para a narrativa, mas que contados dessa forma já foram repetidos à exaustão no cinema, numa clara demonstração de que pesou muito mais a decisão de seguir um "padrão" de filme seguro, do que ousar e fazer algo mais surpreendente. Mas o design de produção é absolutamente espetacular, os figurinos da época são impecáveis, os cenários são bem econômicos, mas tudo o que aparece está muito bem feito, a fotografia do experiente Javier Aguirresarobe ("Os Outros", "Blue Jasmine", "Lua Nova") é muito agradável aos olhos, sabendo variar muito bem a calmaria em terra firme com a apreensão e sensação de confinamento dentro dos barcos ou em alto mar e a trilha sonora de Carter Burwell (indicado este ano ao Oscar por "Carol") sabe ser dramática na hora certa e heróica, com suas orquestras, nas cenas de aventura, quando o filme precisa.

Convém lembrar que o filme realmente faz jus ao uso do 3D, os efeitos visuais são muito bem feitos, conseguindo agregar mais envolvimento à experiência do espectador. As atuações do elenco são boas, principalmente Affleck e Pine, que realmente se esforçam para fazer com que o espectador acredite na história. Concluindo, "Horas Decisivas" não tem a pretensão de ser um épico do oceano e ser levado a sério (não quer ser nenhum Moby Dick). O saldo só é positivo porque o filme se assume como uma aventura de heroísmo e coragem e embora o romance mal encaixado no contexto geral da trama impeça o filme de ir mais além, ainda é uma história que merece ser vista no cinema, pois suas melhores qualidades são realçadas graças ao aprimoramento técnico e estético que foi dado ao filme. Não é um filme que irá brigar por prêmios no final da temporada, não é o tipo de filme que marca na mente por muito tempo, mas deve ir bem nas bilheterias e é uma ótima opção para levar as crianças ou relaxar e comer aquela pipoca.


Divulgaí

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