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Reflexões de um cinéfilo: A Mesmice, o Oscar e a Academia

Talvez a maior premiação de cinema não esteja preparada para atravessar preconceitos, por que o público, claramente, não está.
Reflexões de um cinéfilo: A Mesmice, o Oscar e a Academia

Este é o momento do ano onde as apostas começam, as dúvidas surgem, as perguntas sobre quem será o ganhador do Oscar começam. Mas a principal pergunta continua escondida abaixo da excitação da cerimônia já tão próxima: Quando a Academia vai deixar o talento transcender qualquer tipo de diferença étnica, sexual e de gênero? Olhando rapidamente, parece apenas mais um exagero. É querer achar cabelo em ovo, chorar por nada, mas olhando de forma mais cuidadosa, “o buraco é mais embaixo”.

Depois do discurso de Viola Davis no Emmy do ano passado e da surpresa de Taraji Henson ganhar o Golden Globe deste ano, tudo parecia estar em ritmo de mudança. Cada vez mais protagonistas negros estão pipocando nas telas, mais mulheres estão se destacando, logo, mais premiações iriam homenagear esses ídolos. Aparentemente não, por enquanto. "A única coisa que diferencia as mulheres negras de qualquer outra pessoa é a oportunidade", disse Davis. A oportunidade está claramente batendo na porta, mas a Academia ainda não escutou.

Para quem não viu ou não percebeu, todos os vinte nomeados principais do Oscar são brancos. Primeiramente, parece óbvio, no cinema e no mundo, negros continuam sendo a minoria. E não é sempre, que se destacam em grandes filmes. Talvez essa poderia ser a desculpa da premiação do ano passado, pois, além de 12 Anos de Escravidão, poderíamos citar Django Livre e parar por ai na lista de filmes com atores “de cor”. Mas nesse último ano e no início de 2016, já tivemos a felicidade de ver Will Smith ser nomeado ao Globo de Ouro, Idris Elba e Beasts of no Nation se destacando cada vez mais e Michael B. Jordan fazendo todos se esquecerem de sua atuação preguiçosa em Quarteto Fantástico. Não apenas negros foram deixados de fora, mas também alguns latinos como Benicio Del Toro e Oscar Isaac.

Mas para tudo isso tem uma desculpa. O filme de Smith não fez tanto alvoroço, Beasts of no Nation é um longa “para televisão” feito por um streaming e Michael B. Jordan foi ofuscado pela verdadeira estrela, Stallone. Mas por que sempre achar desculpas, quando podemos realmente, criticar? Pois enquanto o Golden Globe surpreendeu e deixou a maioria de queixo caído, perdido nas indicações e ganhadores, o Oscar continua fazendo suas mesmices, colocando em seus palanques nomes já tão conhecidos e “mastigados”, deixando de lado quem realmente merece.

E se há muita mesmice, encontrar “estranhices” também não é difícil. Parece uma ironia do destino “What Happened, Miss Simone”, produzido pela Netflix, ser indicado a melhor documentário e Beasts of no Nation sair de mãos abanando. Ambas as atrizes de Carol indicadas as categorias de melhor atriz principal e coadjuvante, mas o filme não. A trilha que era uma homenagem a Paul Walker, See You Again, que tirou lágrimas de vários fãs da franquia Velozes e Furiosos, ser deixada de lado. E a lista não para.

Para alguns, é apenas uma premiação que pode muito bem “ser comprada”, mas para outros, é o pequeno passo de uma longa caminhada. A maioria ainda não percebe a real importância desses pequenos pontos. De como uma simples indicação pode trazer sorrisos para um grupo de pessoas, de como a representatividade é importante, da infância até a fase adulta. Talvez o mais envergonhante de todo o cenário sejam os comentários irônicos sobre as críticas: Daqui a pouco vão botar o sistema de cotas no Oscar também!” ou “É sério que o Oscar precisa de cota racial? Por que agora é só o que me falta né. como se negros não pudessem conseguir isso por mérito.” Talvez a maior premiação de cinema não esteja preparada para atravessar preconceitos, por que o público, claramente, não está.


Divulgaí

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