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Reflexões de um cinéfilo: Uma crítica ao mais esperado

Reflexões de um cinéfilo: Uma crítica ao mais esperado

Se Marty McFly estivesse com seu DeLorean e viajasse “de volta para o futuro”, se depararia com cinemas anunciando o novo filme de “Star Wars”, “Jurassic Park”, “Robocop”, “Exterminador do Futuro”, uma série que continua a história de “Uma Noite Alucinante”, “Ash vs. Evil Dead”, além dos nomes “Pânico” e “Arquivo X” piscando em vários lugares da mídia. Sem contar outros remakes, reboots ou revivals. Muito “re” para pouco cinema. A explicação mais óbvia para isso é que Hollywood está passando por uma crise criativa, por que no fim das contas, não é apenas a economia que tem o direito de entrar em crise.

Escritores e roteiristas tem seu momento de seca, diretores podem sentir um certo saudosismo pela fama que um dia conquistaram e atores adoram agradar os fãs com o papel que um dia os cativou. Mas não é tão simples assim. Há vinte anos atrás, jovens de dez anos iam com os pais assistir “Superman” e ao voltar para casa, colocavam a toalha vermelha nas costas e se imaginavam voando pelos céus do Rio de Janeiro ou Nova York. Hoje, essas mesmas crianças tem trinta anos e continuam vestindo as capas vermelhas, mas desta vez como uma fantasia para eventos como a Comic Con.

Essas mesmas crianças podem ter filhos ou sobrinhos, até irmãos mais novos que nunca souberam o que é um plot twist como o “Eu sou seu pai”. Levando tudo isso em conta, o que é mais fácil? Trazer uma nova história, onde ninguém tem segurança se será de sucesso ou não, ou apostar no que já deu bilheteria e apenas sentar e esperar o dinheiro entrar? A resposta é bem óbvia e ao mesmo tempo frustrante. Por que enquanto ficamos animados por que Bruce Campbell mais uma vez está colocando a moto serra e matando deadites, séries muito bem construídas como “Mr. Robot” estão ficando esquecidas e deixadas de lado.

Não apenas séries. Cinema é algo vasto, podemos encontrar material bom e ruim, seja na América do Norte, Europa, ou até Nigéria, que pasmem, é o lugar onde mais produz filmes por ano, nosso Nollywood. Mas entre algo bom, ruim e Star Wars, o que o público sempre vai preferir? A pergunta tem uma resposta tão óbvia que não precisa ser respondida. Mas esse texto não é sobre os lucros das empresas cinematográficas americanas com continuações intermináveis, remakes, reboots e revivals.

Há poucas semanas começou a discussão. Qual o filme mais esperado do ano. É fácil abrir a boca e responder: “Star Wars”, o difícil é dizer isso sem levar em consideração que nos últimos dez meses, apenas tivemos três dias de divulgação da sétima parte da saga, com pouquíssimas informações do enredo, poucas imagens e um vídeo sobre os bastidores divulgado na Comic Con. Tudo bem, é então que a resposta pode mudar para “Jogos Vorazes”, a segunda parte estrelada por Jennifer Lawrence durante todo o ano teve uma divulgação massificada, com trailers para cinema, TV, pôsteres, fotos e o clássico, boca a boca.

Agora, com o fim do ano, começa a corrida pelo ouro. Quem será o candidato ao Oscar? Quem quer ser considerado o melhor blockbuster do ano? E se a briga fosse apenas em questão de dinheiro daria muito menos dor de cabeça, o problema é quando vão aos fãs. É esse o momento onde os irmãos, o rapaz de trinta anos e o de quinze, começam a discutir sobre qual filme é o mais esperado. Onde os dois nasceram em épocas diferentes, em que um voou pelos céus de Nova York e o outro, matou inimigos e aliados nos jogos.

Tudo isso ocorrendo durante a estréia de diversos outros bons filmes. Como no ano de 2014, onde a maioria ignorou a atuação de Jake Gyllenhall em “O Abutre”, filme que poderia no mínimo ser indicado ao Oscar de melhor ator. Mas então voltamos para a questão do mais esperado, do melhor, do termômetro da academia e o termômetro do público. Questões que são apenas medidas pelo material de divulgação transcorrido pelo ano. Por que, sejamos sinceros, “Jogos Vorazes”, até um mês atrás, era o filme mais esperado do ano. E sejamos mais sinceros, “Que Horas Ela Volta?” mesmo indo para o Oscar e tendo dado todo o rebuliço que deu no exterior, ainda faz algumas pessoas torcerem o bico na fila de cinema dizendo: “Regina Casé? Até parece que filme brasileiro concorre ao Oscar!”. Sim, isso aconteceu. Eu vi.

No fim é tudo uma questão de marketing. Não dá para esquecer de comentar sobre Quarteto Fantástico, que conseguiu “se pagar” apenas com os comentários ruins da mídia, ou como “Mad Max” pouco tempo depois de sua estréia, enquanto antes, poucos apostavam no filme. Sendo o mais esperado ou menos esperado, é melhor abaixar a barrinha de expectativa e ir levando.

Divulgaí

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