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Reflexões de um cinéfilo: “E Deus criou a Mulher”

Reflexões de um cinéfilo: “E Deus criou a Mulher”

“Não existe mulher como Gilda.” Mas quem é Gilda? Que tira sua luva de modo sensual, sorri sempre que pode e faz tudo o que quer? Quem é esse esboço de mulher moderna com traços antiquados que marcou o cinema através de lentes masculinas. Por que, sejamos sinceros, mesmo com sua fragilidade e orgulho domando, Gilda foi criada para discórdia. Assim como a personagem de Brigitte Bardot em “E Deus Criou a Mulher”.

”Aquela garota foi feita para destruir homens,” dizem se referindo a Juliette, uma mulher aprisionada e julgada por querer viver a sua vida. Não muito diferente de Gilda, que era dona de seu próprio nariz e se prendeu diversas vezes aos homens, apenas para se ver livre. Mas para a mulher seguir com a sua própria vida tem um preço. Como Hedy Lamarr, que protagoniza o primeiro orgasmo no cinema. Orgasmo que teve um preço, a vida de seu marido e o amor de seu amante.

Todas essas personagens tem muito mais em comum do que parece. Nunca existiu mulher como Gilda ou Juliette. Todas foram moldadas com olhos machistas, olhos com medo de encontrar mulheres assim, que poderiam destruir qualquer homem. A construção da figura feminina no cinema é muito controversa. Diferente da do homem, não há tons de cinza, mas vai da devassa à casta, do 8 ao 80, assim como suas atrizes.

Que homem não gostaria de ter uma noite com Gilda? Ela era fácil, feliz e extrovertida. “Agora todos sabem que sou uma...” A frase dita pela própria fica no ar após a sua apresentação mais extravagante. Tantas palavras surgem na cabeça do espectador e a curiosidade fica depois do tapa: “O que Gilda é?” Ela era o desejo de consumo de todo homem, a discórdia, a mulher que sofreu depois de todas as crueldades que fez. Gilda era mulher. Apenas. E ser isso em um filme (ou até mesmo na vida) já era motivo de causar problema.

A controvérsia surge quando a imagem da atriz é construída a partir da sua personagem mais marcante. Pelo incrível que pareça, Rita Haymouth era tímida, muito diferente de Gilda, mas todos iam atrás dela, esperando encontrar as curvas sexys e o gingado contagiante. A escolha de atrizes para papéis assim era muito bem pensada. Você não escolhia uma mulher casta para um papel de garota de programa. Você não escolhe uma Audrey Hepburn para viver uma garota de programa, mas sim uma Marylin Monroe ou uma Elizabeth Taylor. Não era esperado, pela construção da própria Audrey que ainda era a princesa de seu primeiro filme, a garota que poderia fugir de seus deveres, mas voltar para enfrentá-los ainda incólume e inocente.

Por isso é tão fácil unir a visão de Holly Golightly (no cinema) com a visão de mulher moderna. Visão que ainda era muito conturbada, por que ser moderna era sinônimo de prostituta. A Holly do livro de Truman Capote, por exemplo, teve um fim digno de uma mulher assim, digno na época, em que pagou todos os seus pecados, enquanto a do filme, foi atrás dos seus ratos e super ratos, mas teve um final feliz com seu mocinho. Até então, não havia tons de cinza para as mulheres. Havia a mãe casta, que protege seu filho de todas as outras que se aproximas. A irmã, jovem e inocente. E a mulher independente e solteira, que traz a destruição para onde vai.

Hoje em dia deveria ser diferente, mas na prática não é bem assim. Mesmo com tantas personagens femininas que vão atrás de seus sonhos, que tratam de política e libertação, como é o caso de Katniss Everdeen, interpretada por Jennifer Lawrence, acabamos resumindo toda a jornada da jovem em dois rapazes, uma escolha e um final “feliz”. Isso por que ainda há dificuldade de sair do famoso “romance de garota” para um romance feito para garotas e qualquer um. O motivo? Por que Deus criou a mulher e o homem fez de tudo para mantê-la em uma gaiola. Estamos há tempo demais olhando através de lentes embaçadas e apenas agora, alguém tratou de limpar. E entre borrões, conseguimos ver personas que finalmente não estão sendo repreendidas por quererem viver as suas vidas.




No slide acima, compilamos alguns filmes que tratam do assunto com diferentes visões. Dentre elas, trazendo a mulher como um objeto de discórdia, como em ‘E Deus Criou a Mulher’, ‘O Pecado Mora ao Lado’, ‘Gilda’ e ‘Êxtase’. Todas mulheres fortes, assim como Scarlet O’Hara em ‘E O Vento levou’. ‘Em Stromboli’, a jovem Ingrid Bergham se une à um homem com a esperança de se ver livre de seu aprisionamento, sendo independente e moderna, a mesma sofre na ilha. E em ‘Os Pássaros’ vemos os três tipos de mulheres no cinema. Por fim, temos ‘As Sufragistas’, onde vemos a real mulher rebelde e em 2017 teremos um dos ícones femininos saindo dos quadrinhos para o cinema, ‘Mulher-Maravilha’.

Divulgaí

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