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Especial: Trilogia Mad Max (1979 - 1985)

Especial: Trilogia Mad Max (1979 - 1985)
Não acho exagero dizer que George Miller e Mad Max colocaram o “novo” cinema australiano no mapa mundial. Até a metade da década de 70, o cinema australiano havia criado poucas obras relevantes – sendo que muitas delas haviam sido financiadas com a ajuda de outros países. Basicamente, era assim que funcionava: haviam os diretores consagrados, como Bruce Beresford e Peter Weir, responsáveis pelos filmes mais respeitados e elogiados pela crítica geral da época e, no outro extremo, diretores emergentes com seus filmes de baixo orçamento e mais despretensiosos, explorando assuntos polêmicos com sexualidade, violência e pancadaria.

Mas, na última metade da década de 70, o crescimento da televisão nacional – com profissionais mais capacitados e experientes – e a criação da Australian Film Comission, em 1975 - foram determinantes para o renascimento do cinema local, se aproveitando da nova liberdade cultural, queda de tabus e um forte investimento do governo na produção de filmes. Naquela época, enquanto Hollywood se rendia a superproduções do calibre de Tubarão (1975), Guerra nas Estrelas (1977) e Superman (1978), na Austrália o diretor George Miller introduzia um jovem Mel Gibson com apenas 23 anos no papel de Max Rockatansky no seu visionário Mad Max, em 1979. 

Em breve estreia o mais novo filme da série, Mad Max: Estrada da Fúria e o Loucos Por Filmes fez um especial homenageando esta incrível franquia. Confiram a seguir:

Introdução: Mad Max (1979)

O primeiro Mad Max é simplesmente sensacional. Primeiro filme de Miller e primeiro protagonismo de Gibson no cinema – há quem diga que o jovem ator ganhou o papel após ter se envolvido em uma briga de bar e seu rosto machucado ficou marcado na mente do produtor de elenco – a história se passa em uma Austrália recém pós-apocalíptica, onde as pessoas tentam sobreviver com recursos limitadíssimos, mas a criminalidade aumenta vertiginosamente. Cercados de um deserto imenso e longas estradas abandonadas, a população sofre com o surgimento de gangues violentas que roubam, estupram e fazem o que bem entendem sem medo da justiça, representada por um departamento que pouco pode fazer contra a burocracia dos tribunais, a falta de recursos e as poucas queixas prestadas pela oprimida população. 

O policial mais temido e eficiente é Max Rockatansky (Gibson), recordista em prisões juntamente com seu amigo Jim “Goose” (Steve Bisley), ambos percorrem as estradas atendendo a chamados de emergência e tentando manter a ordem em um mundo visivelmente desacreditado e inóspito. Aos poucos Max vai percebendo que a situação está longe de melhorar, com inocentes morrendo e inúmeras batalhas que apenas mancham de sangue as estradas desertas. Cansado de tudo isso, ele decide aposentar-se mesmo a contragosto de seu superior (que acredita que Max seja um símbolo, um herói solitário em tempos de guerra), para passar mais tempo com sua esposa Jessie (Joanne Samuel) e sua filhinha. O que surpreende na direção de Miller é sua habilidade nas impressionantes cenas de perseguição em alta velocidade, muito bem coreografadas e com batidas e explosões viscerais e de tirar o fôlego do espectador. Mas talvez apenas esse jogo de “gato e rato” de Max perseguindo as gangues não fosse suficiente e, sabendo disso, o diretor adicionou um elemento que acabou movendo a trama do meio para o final do filme: a vingança. Em uma decisão ousada e acertada, vemos uma das gangues perseguir e assassinar friamente a esposa e a filha de Max que fugiam a pé pela estrada. Sem mais nada a perder, Mad Max busca sua vingança aniquilando um por um os malfeitores, e quando pensamos que ele irá saborear por completo sua vingança, o filme acaba repentinamente, deixando aquele gostinho de quero mais.

Ao contrário do que muitos pensam, considero este primeiro filme tão importante e bem feito quanto sua sequência, muito mais popular. Um filme de ação bem à frente do seu tempo, com algumas falhas (embora pouco expressivas), mesclando filmes referência de perseguição, como “Duel” (1971), de Steven Spielberg e filmes de vigilantes, bastante comuns na época. Custando $400 mil dólares e arrecadando mais de $100 milhões, tornou-se um dos filmes mais rentáveis da história e trouxe sucesso imediato a Miller e principalmente Mel Gibson. 

Consolidação: Mad Max 2: A Caçada Continua (1981)

Como havia dito, o filme anterior mal tinha acabado e já deixava um gostinho de saudade em todos aqueles que foram arrebatados por Mad Max e sua busca pela ordem e justiça. Mas é inegável que esta sequência foi melhor produzida e veio para consolidar Mad Max como um dos grandes ícones dos filmes de ação. Neste ponto da história, vemos que, conforme o esperado, o mundo apenas piorou. Nosso herói teve o mesmo destino, por aqui vemos um Max desolado após suas perdas e que se tornou um nômade, viajando pelas estradas caçando gangues e travando batalhas violentíssimas. Em uma dessas batalhas, Max cai em uma armadilha e acaba conhecendo o Capitão Gyro (Bruce Spence), que decide fazer um trato caso sua vida seja poupada. Como a vida de Max é nas estradas, as únicas coisas importantes para ele agora são seu fiel e agressivo cachorrinho e galões de gasolina, cada vez mais raros e preciosos. O trato de Gyro consistia em levar Max até um acampamento localizado em uma refinaria - onde o capitão jura haver litros e litros de petróleo, o ouro daquele mundo. 

Ciente da sua necessidade, Max aceita o trato e conhece o líder do povo que reside na fortaleza, Pappagallo (Mike Preston). Mesmo salvando a vida de um dos integrantes da tribo, inicialmente Max é tratado como hostil pelo pacato porém desconfiado povo da refinaria. Ele precisa conquistar a confiança deles para não ser executado. Entretanto, um incidente acaba salvando a vida de Max quando uma gangue, liderada por um homem com uma máscara de hóquei conhecido como Humungus estabelece o prazo de um dia para que todos abandonem a refinaria e entreguem a gasolina. Agora a única esperança do povoado está nas mãos de Max, que faz um trato com Pappagallo para que ambos saiam desta vivos e com sua preciosa gasolina. Mas muita coisa ainda estava para acontecer...

Vale lembrar que em 1979 ocorreu uma crise política no Irã, que desorganizou todo o setor de produção de petróleo, gerando uma crise que aumentou o preço dos barris em mais de 1000%. Em seguida, houve uma guerra entre Irã e Iraque que resultou na morte de mais de 1 milhão de soldados de ambos os países. Tal cenário catastrófico foi perfeito para a inspiração de Miller, que mesmo com um roteiro básico, conseguiu extrair o máximo graças a novamente ótimas sequências de ação, editadas em um ritmo alucinante e com uma equipe de dublês sensacional. 

Mad Max 2: A Caçada Continua proporciona muita ação e entretenimento, com excelentes perseguições implacavelmente velozes, de forma nunca vista no cinema daquela época. A câmera trêmula, a música de suspense, o barulho altíssimo dos motores e batidas, tudo contribuiu para que Mad Max se tornasse uma lenda ao longo tempo. Mais rápido, mais violento, mas bem feito – com destaque para a última sequência, da fuga com o caminhão, absolutamente fantástica. Exatamente como todas as sequências de ação deveriam ser, maiores, mais intensas e com o poder de consolidar o sucesso do seu antecessor. 

Expansão e conclusão: Mad Max 3: Além da Cúpula do Trovão (1985)

Também produzido e filmado na Austrália, a história se passa cerca de 15 anos após os acontecimentos de Mad Max 2, onde vemos um Max grisalho e exausto de vagar pelo deserto que, após ter seu equipamento roubado, acaba chegando em Bartertown, um protótipo de cidade decadente e nada civilizado, onde dois rivais, Aunty Entity (Tina Turner, muito bem no papel, por sinal) e “O Mestre” (Angelo Rossitto) - um anão que participou do incrível filme “Monstros” (1932) de Tod Browning – lutam pelo poder enquanto buscam destruir um ao outro para ter o controle total de Bartertown.

Mais uma vez pela necessidade de se reequipar e sobreviver, Max faz um acordo com Aunty de lutar contra Blaster (Paul Larsson), o capanga e “corpo” de O Mestre dentro da Thunderdome (Cúpula do Trovão), um círculo gigante onde os problemas e conflitos de Bartertown são resolvidos através da barbárie até a morte, onde segundo o lema: “dois homens entram e um homem sai”. Talvez nem seja preciso dizer que o show de horrores era promovido e patrocinado pelos poderosos servindo de entretenimento para a população, o famoso “pão e circo”, que seria muito explorado no cinema posteriormente, como no filme “O Sobrevivente” (1987), com Arnold Schwarzenegger. Max consegue derrotar Blaster, mas ao perceber que tirar a vida de uma pessoa daquela forma era errado se recusa a matá-lo, e ao infringir a regra do combate é mandado ao exílio, frente a uma tempestade de areia que quase o mata. Max então é resgatado por um grupo de crianças e adolescentes tribais, que vivem em um vale aguardando o retorno de um Capitão que irá restituir a civilização e fará o mundo viver em paz novamente. 

A identidade visual dos dois filmes anteriores permanece, mas está claro que George Miller se esforçou bastante para expandir sua ideia com mais conteúdo e menos ação neste último capítulo, com o intuito de atribuir mais significância a sua obra. Apoiado por excelentes atuações, Miller consegue aprofundar Mad Max como personagem, seus dilemas éticos e morais, a importância do sacrifício e de manter-se a esperança de dias melhores. 

Ao lembrarmos de Max Rockatansky desde o primeiro filme, paramos para pensar em quantas mudanças (interiores e exteriores) ele passou, quantos conflitos experimentou, de homem da lei a vingador justiceiro, de andarilho desacreditado a salvador e símbolo de esperança a toda uma nova civilização. Um homem que amou apenas uma vez e isso lhe foi suficiente, venceu seus medos, aprendeu com seus erros... Mad Max mostra que o que define um personagem são suas ações. Você é o que você faz e não o que diz. Essa é a estrutura dos bons filmes de ação, um herói (mesmo que ele ainda não saiba) e sua capacidade de superar os obstáculos que a vida lhe impõe. Sua coragem, resistência e entrega são testadas das formas mais desafiadoras possíveis, e ele nunca desiste. Mad Max é um exemplo clássico de herói que nos conquista não por suas belas palavras e carisma – pelo contrário, Max é um dos heróis mais introvertidos e antipáticos do cinema – mas que nos conquista por suas ações, decisões e reações frente aos conflitos, exatamente como muitos de nós não conseguiria fazer.

É isso pessoal, espero que tenham gostado e vamos aguardar ansiosamente porque falta pouco para presenciarmos o novo capítulo deste herói em Mad Max: Estrada da Fúria!

Divulgaí

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