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Crítica: O HOMEM MAIS PROCURADO


O espião alemão Günter (Philip Seymour Hoffman), defronta-se com a oportunidade de atingir seus objetivos quando passa a investigar o suspeito Issa Karpov (Grigoriy Dobrygin) um fugitivo mulçumano checheno que busca instalar-se na cidade de Hamburgo. Issa conta com o apoio da advogada humanitária Annabel Richter (Rachel McAdams) para contatar o banqueiro Tommy Brue (Willem Dafoe) que poderá ajudá-lo a melhorar sua situação. Durante a investigação porém Günter terá de convencer seus superiores de que a melhor estratégia é aguardar e utilizar Issa e Karpov para chegar até os verdadeiros terroristas.
                                                                                               
O longa concentra-se em investigações empreendidas por agentes que atuam nas sombras, e para atingir seus objetivos precisam manter-se invisíveis através de disfarces, informantes e outros mecanismos semelhantes aos consagrados nos grandes clássicos da espionagem como 007 ou Missão Impossível. Diferentemente de seus primos famosos porém, O Homem Mais Procurado desloca o foco do espetáculo de ação para os bastidores muito menos glamourosos da atividade nos escritórios, o lado burocrático, arrastado. É mostrado que para descobrir segredos, mais do que aparatos super tecnológicos,  é necessário infiltrar-se na vida dos investigados através de pontes diretas, que na maioria das vezes são pessoas de confiança, filhos, amigos, enfrentando o peso de uma vida dupla.

O manejo dessas pessoas é um grande desafio para os agentes, especialmente o protagonista interpretado por Phillip Seymour Hoffman. Sobre a vida pessoal de Günter não é revelado muito além do abuso do álcool e sua solidão ambos possivelmente causados pela demasiada dedicação ao trabalho. Um fracasso no passado, que lhe custou a reputação e talvez a vida de seus colaboradores o atormenta, fazendo-o adotar uma atitude cautelosa e de certa forma até protetiva em relação as pessoas que foram envolvidas em sua rede. Nesse ponto, Hoffman reafirma seu poder dramático, através de modulação vocal, postura e pequenos detalhes, transparece o peso da responsabilidade de seu personagem que ao mesmo tempo que sabe dos limites institucionais impostos a ele, tenta alcançar um objetivo mais nobre com seu trabalho. É ao mesmo tempo incrível e deprimente saber ser este o último trabalho completo desde grande ator.

Nesse aspecto, é importante dizer que a obra não se furta de fazer um comentário político contundente. Günter progride pacientemente com seu trabalho, emprega um mínimo de decência e distanciamento crítico, busca um resultados relevantes mesmo que mais demorados.  Enquanto que  o aparato burocrático tem pressa em colher os frutos de seu trabalho, mesmo que ainda verdes, sem se importar com o sacrifício de inocentes. Assim, uma instituição que deveria, como exposto no filme, tornar o mundo mais seguro, passa a ser algo puramente mecânico destituído de humanidade, fazendo de tudo e todos, inimigos potenciais e perdendo assim a chance de capturar os verdadeiros vilões, se é que o termo se aplica.

O Homem Mais Procurado apresenta, assim como O Espião que Sabia Demais, uma perspectiva mais séria sobre o universo da espionagem e em consequência disso adota um ritmo mais comedido, mas nem por isso torna-se chato ou entediante.  O foco nos personagens e em suas relações interpessoais faz com que nos importemos com seus destinos, criando assim oportunidades de tensão que surgem de situações simples, como a assinatura de um documento. Mas isso é resultado também do ótimo trabalho do diretor, Anton Corbijn. Além disso, não podemos esquecer, como dito anteriormente, que este é o último filme completo de Philip Seymour Hoffman. Ou seja, para todos os efeitos, imperdível.


Divulgaí

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