Loucos por Filmes

Loucos por Filmes

Destaques

Últimas

Navegação

Crítica: O MELHOR LANCE

Crítica: O MELHOR LANCE
Consagrado principalmente por seus clássicos contos de horror, o escritor americano Edgar Allan Poe manifestava também uma paixão pelo exercício de desvendar mistérios. Esta paixão pode ser vislumbrada em seu conto O Jogador de Xadrez de Maelzel, no qual, por meio de investigação lógica chega a conclusão que um famoso autômato não utilizava de meios unicamente mecânicos para realizar partidas de xadrez que surpreendiam o público em geral, e consequentemente não passava de uma farsa. O tal conto é citado em dado momento de O Melhor Lance, novo filme de Giuseppe Tornatore, não por acaso, uma vez que, também como o conto de Allan Poe, o desafio é tentar entender a verdade escondida por trás dos mecanismos complexos, e aparentemente legítimos,  e quando essa essa verdade vem a tona, o resultado é nada menos do que satisfatório.

O filme acompanha um recorte da vida de um notável leiloeiro, Virgil Oldman (Geoffrey Rush), cujos extenso e profundos conhecimentos no campo da arte, permitem que o mesmo possa usar de artimanhas para enganar clientes e tomar para si, ajudado pelo comparsa Billy (Donald Sutherland), as obras que considera mais valiosas. Entra em cena então a misteriosa Claire Ibbetson (Sylvia Hoeks) que contrata seus serviços para inventariar e leiloar os objetos da velha casa de seus falecidos pais. Movido pela ganância, ao encontrar e apoderar-se de uma peça que pode fazer parte de uma valiosíssima obra do invento francês Vaucanson, Oldman tenta lidar com o estranho comportamento de Claire, enquanto tenta remontar a objeto com a ajuda do habilidoso Robert (Jim Sturgess), mas acaba envolvendo-se emocionalmente com a moça.

O Sr. Oldman vivido por Geoffrey Rush é uma figura controversa, um notável solitário, portador de T.O.C, que trata aqueles a sua volta, até mesmo amigos de longa data com arrogância e até desprezo. Parece importar-se unicamente com a arte, e mesmo por isso não mede esforços para conseguir as obras que lhes são mais preciosas, inclusive chegando ao ponto de roubar obras da casa de seus clientes. No entanto, a antipatia inicial é sobrepujada conforme sua a curiosidade pela inescrutável moça vai sendo substituída por apreço, e o personagem revela suas vulnerabilidades, se deixando enredar-se como um cordeirinho numa trama que ele não suspeita, e os espectadores apenas desconfiam de como irá terminar.

Analogamente a construção do autômato de Vaucanson, as peças do enigma vão sendo pacientemente (até demais) distribuídas ao longo do filme, impelindo o espectador a tentar montar o instigante quebra-cabeça, decifrar o  destino que está sendo gestado sob o nariz de Sr. Oldman. Esse processo é atrapalhado por diálogos expositivos e pela trilha sonora que a despeito de sua qualidade, é excessiva, mas não a ponto de tirar a graça do mistério tornando-o completamente previsível. Também excessiva é a duração da obra, que poderia ter menos vinte minutos cortados sem prejudicar sua qualidade. Mas esses pequenos problemas não são capazes de eclipsar a qualidade da obra, que vale principalmente por desafiar o espectador com um bom enigma, proporcionando a este a mesma sensação que talvez Edgar Allan Poe experimentava ao solucionar os mistério que ele mesmo havia inventado, uma recompensadora diversão.



Divulgaí

Deixe sua opinião:)