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Crítica: COMO TREINAR SEU DRAGÃO 2

Crítica: COMO TREINAR SEU DRAGÃO 2
Com a difícil tarefa de ser tão bom quanto ou quem sabe melhor que o antecessor, sucesso de público e crítica, Como Treinar Seu Dragão 2 sobrevive as altas expectativas e em muitos aspectos as supera, contrabalançando momentos de puro deleite visual com poderosas pérolas dramáticas que decerto vão perdurar na mente do espectador seja ele criança ou adulto.

Passados cinco anos após pacificar as relações entres os habitantes de Berk e os antes temidos dragões. Soluço (Jay Baruchel)  prefere aventurar-se com seu inseparável companheiro Banguela a procura de novos territórios além de Berk do que assumir as responsabilidade de sucessor do trono de seu pai Estóico (Gerard Butler). Em suas explorações acaba encontrando um misterioso cavaleiro de dragão que revela-se ser sua mãe Valka (Cate Blanchett), antes dada como morta, e que vive como guardiã de um verdadeiro santuário de dragões. Dividido entre a possibilidade de viver com sua mãe junto aos dragões e voltar a Berk e cumprir as expectativas de seu pai, Soluço terá ainda que preocupar-se com a proeminente ameaça do terrível Drago Sanguebravo (Djimon Hounson), que planeja escravizar dragões e destruir tudo que se ficar em seu caminho.

O filme aposta no popular e doloroso tema do  processo de maturidade, Soluço vê-se divido entre a aceitação das responsabilidades ou uma vida livre e aventureira. Os dois pontos de vista a princípio são opostos, representados respectivamente pelo pai, que quer que o filho o substitua como rei de Berk, e a mãe que afastou-se de sua família, das responsabilidades de esposa e mãe para doar-se exclusivamente a seu amor pelos dragões. Esse dilema, embora não seja original, o vimos de maneira  parecida em O Rei Leão (1994), possui uma desejável mensagem para as crianças, pois vai além da ideia mostrada no primeiro filme da importância de ser você mesmo e alcança uma versão mais sofisticada, a de enfrentar a vida do seu jeito.

Mas o aperfeiçoamento não fica por ai, o roteiro de Dean Deblois que também assina a direção, traz elementos que denotam continuidade e progresso, como por exemplo o retorno da relação de Soluço e seu pai, e agora também com  a mãe, para o centro da narrativa. A despeito do dilema interno, o protagonista deve combater dessa vez, um antagonista de peso, um vilão com todos os predicados que esta posição lhe garante, o impiedoso Drago Sanguebravo, envolto em uma aura misteriosa até certa altura da projeção, que lhe confere um caráter lendário e apropriadamente cartunesco, empregado de tal maldade que torna-se impraticável qualquer possibilidade de diplomacia da parte de Soluço. Além disso, é preciso admitir a capacidade de Deblois em equilibrar aspectos cômicos e dramáticos, cada um com seu devido espaço no filme, sem exageros.

Mas o mais impressionante fica por conta do visual, se o primeiro filme já trazia sua própria conta de grandiosidade, Como Treinar Seu Dragão 2, é, por falta de palavra melhor, monumental. Não somente em planos soberbos que mostram dragões de diversos tipos sobrevoando cenários que transmitiriam a própria perfeição se esta fosse um sentimento, como também em momentos mais íntimos. A concepção dos dragões é sempre inspirada, feito ainda mais notável quando se pensa na quantidade quase obscena de criaturas do filme, que, não obstante, sempre parecem diferir uma da outra. Esse cuidado é visto também nos figurinos, no caso de Soluço as roupas simples, com linhas retas onde o verde e o marrom dividiam espaço, foram substituídos por uma armadura robusta, com texturas mais duras e mesmo que conserve as cores originais, os tons foram escurecidos e agora o preto ganhou destaque (cor do Banguela por sinal), mudança essa que reflete o crescimento do personagem.

Como Treinar Seu Dragão 2 destoa positivamente tanto quanto seu antecessor da produção geral da DreamWorks Animation, e, porque não das animações de maneira geral, pois emana originalidade e, talvez mais importante, ao invés de limitar-se a produzir uma continuação caça níquéis obrigatória, demonstra um esforço genuíno em fazer o melhor filme possível, que entrega toda a diversão que se tem direito sem perder de vista a qualidade da obra.


Divulgaí

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