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Crítica: A Recompensa

O novo filme do popular e carismático ator britânico Jude Law (Alfie, o Sedutor) tem como protagonista um personagem bastante diferente do qual o galã está habituado a interpretar. A trajetória do criminoso britânico Dom Hemingway é contada pelo diretor/escritor Richard Shepard, mais conhecido pelos filmes “O Matador” (2005) e “A Caçada” (2007), onde mescla ação e crime com doses de humor negro. Inclusive, o diretor foi premiado por seu trabalho na série cômica “Betty, a Feia”, na versão norte-americana. Em “A Recompensa”, Shepard volta ao seu estilo de costume, tendo desta vez como cenário as ruas de Londres. Seja nos diálogos engraçados e vulgares ou na atmosfera britânica peculiar, fica bem evidente que o diretor teve como influência o estilo do inglês Guy Ritchie, em filmes como “Snatch, Porcos e Diamantes” (2000) e “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes” (1998).

A história de “A Recompensa” tem a seguinte premissa: Após passar 12 anos na prisão, o vaidoso e genioso Dom Hemingway (Jude Law), um famoso ladrão e arrombador de cofres, é libertado e sai em busca de uma recompensa por não ter delatado um chefão do crime para quem trabalhava, o Sr. Fontaine (o Indicado ao Oscar Demian Bichir). Paralelo a isso, ele reencontra seu velho amigo Dickie (Richard E. Grant) e decide acertar algumas contas e pendências, como a tentativa de reaproximação com sua filha distante (Emilia Clarke), mesmo sem ter ideia de como ou por onde começar.

Logo no início somos apresentados ao protagonista, que de cara mostra o quão grande é seu ego fazendo um extenso monólogo sobre... seu pênis! Aliás, uma das características mais marcantes de Hemingway (além de seu temperamento explosivo), são esses monólogos ao longo do filme. Na verdade esse foi um dos motivos que atraiu Law a aceitar o papel. O ator já havia manifestado interesse em diversificar mais seus papéis, aproveitando o fato de agora pertencer ao grupo dos galãs com mais de 40. Law já vinha atuando no teatro desde 2009, interpretando de Hamlet a Henry V nos palcos. Hemingway é um criminoso à “moda antiga”, que segue um código de ética dos ladrões e, talvez pelo fato de ter ficado mais de uma década longe das ruas, sente muita dificuldade em perceber que os tempos mudaram, assim como a categoria dos criminosos, cada vez mais sem escrúpulos. Apesar de se considerar um quase “deus” (adora ser bajulado e conclamar em voz alta seu nome para que o mundo possa ouvir), Hemingway mostra ser tolo e imprudente, um tipo de pessoa “auto-destrutiva”, viciado em álcool e boemia.

O filme caminha bem, com cenas e diálogos engraçados e Law dando um banho de atuação no restante do elenco (com exceção de Bichir, que convence), realmente se divertindo no papel, com alguns momentos até de exageros (tal qual o Jordan Belfort de Leo DiCaprio), mas começa a se revelar o que realmente é (um personagem à procura de um roteiro), quando Shepard começa introduzir o drama de Hemingway como pai. Nem o diretor e muito menos o ladrão sabem como fazer para que a aproximação com sua filha ocorra de forma orgânica e plausível, fazendo com que a trama fique rasa e focada na realidade de Hemingway: Um aventureiro vulgar, cômico, bêbado e poético, que tem grandes chances em se dar mal no fim da história.

Os melhores momentos de “A Recompensa” acontecem quando o inspirado Law “toca o terror” em cena, abusando das ofensas e surtos de loucura, com direito a um dos acidentes de carro mais originais e engraçados do cinema. Alguns espectadores certamente não deverão se divertir tanto quanto o ator claramente se divertiu, mas o filme tem seus bons momentos em um trabalho inusitado e liberal de um ator que, apesar de indicado duas vezes ao Oscar, nunca foi unanimidade, mas que se mostrou bastante à vontade fora da sua zona de conforto.
Divulgaí

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