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O filme acabou e eles não estão juntos! Tá tudo bem?

O filme acabou e eles não estão juntos. Tá tudo bem?
Antes que me atirem pedras, existem spoilers sobre casais que não terminam juntos nesse artigo.
Muito antes de Romeu e Julieta de Shakespeare nascer, a gente já sabia que o casalzinho iria terminar junto. Seja na vida ou na morte (de maneira simbólica) os pares românticos vieram ao mundo pra terminarem deitados lado a lado no cinema. Mas isso não vem acontecendo em alguns filmes (lindos, por sinal) da última década– e seria motivo pra desespero? Inicialmente sim, mas esse artigo vem com intuito de acalmar nossos corações: tá tudo bem se eles se separarem, ainda há beleza nessa decisão de ir embora. Acredite.

O exemplo mais fácil disso é o mega cultuado “500 dias com Ela” (2009). A história de amor geek mais simpática dos últimos tempos mistura cultura pop e romance, mas o grande êxito do filme é sem dúvida o próprio carisma do casal – o filme acabou elevando Joseph Gordon-Levitt e Zooey Deschanel a ícones da juventude, promovendo a carreiras e o salário desde então. Mas no filme, apenas uma voz se escuta: a da perda. Apesar da nossa torcida incessante, já sabemos que no fim dos 500 dias não restará nada. E no final, a personagem de Zooey nos dá o ultimato – um tiro bem no coração dos apaixonados que esperava um happy end. Já podemos prever isso bem antes, quando Zooey, numa festa da empresa, dispara a seguinte frase: “Não existe isso de amor, é uma fantasia.” É possível que a beleza maior e o aprendizado mais profundo se encontrem nesse final alternativo e não no previsível. Foi logo após o termino que Tom (Joseph) decide recomeçar – e não seria a vida um recomeço constante? São as novas chances e oportunidades que nascem todos só dias. E apesar de ser um clichê horrendo, é talvez a única coisa em que você pode se apoiar quando o fim chegar: o recomeço


É em “Azul a Cor mais Quente” (2013) que a coisa realmente pega fogo; aqui há gritos, quebração de pratos e prantos. E diferente do Tom, é bem provável que Adele nunca mais se recupere de sua perda; na última cena antes dos créditos aparecerem, Adele caminha solitária e derrotada para casa, vestindo um vestido azul, como se estivesse encharcada de um amor que nunca mais será seu, mas que nunca o abandonará. Aqui não há consolo, esperanças ou uma nova chance, só o retrato mais difícil que esbarra em nossas vidas reais: as coisas que nunca mais voltam.


Em “Amor Sem Escalas” (2009) a despedida é igualmente sóbria. Mas diferente dos outros filmes, o diretor Jason Reitman (que é sempre carregado de um cinema áspero e de humor negro – como em os ótimos “Jovens Adultos” (2011), “Obrigado por Fumar” (2005) e ‘Refém da Paixão” (2013) traz uma decisão diferente pra um filme altamente comercial – e estamos falando de esbarrar de frente com produtores e públicos nessa escolha. Decidir por separar o par romântico, implica em muitas vezes, desacordo com o público e possível negatividade de bilheteria. Mesmo assim vemos a decisão mais brilhante do cinema. A vida dura como de fato o é. Um George Clooney inconsolável.

Se de fato não estamos preparados para fins como esse, o intuito principal era talvez dizer que a perda pode ser mais rica em significados do que a aproximação – apesar de ser o caminho mais difícil. Em alguns casos ficaremos inconsoláveis como os personagens, abatidos com o fim. Mas volto a perguntar, não seria mesmo a vida um eterno recomeço?

Divulgaí

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